| UN GOBIERNO DE MIERDA |
por Adriana Vandoni, economista |
As recentes atitudes do presidente boliviano deixaram atônitos os que ainda teimam em manter um discurso esquerdista no nosso país. Para essas pessoas deve ter sido duro imaginar a empresa de "o petróleo é nosso" como uma empresa imperialista, que "nuestro país" é dono de uma multinacional "imperialista". Como eles poderiam agora, sonegar aos bolivianos o direito ao mesmo slogan difundido há décadas por aqui e ainda defendido pelos nossos dinossauros ideológicos? Foi surreal vê-los concordando com a atitude de Evo Molares. A quem deveriam defender? À "nossa" empresa ou à ideologia socialista de Hugo Chaves e Fidel? A Petrobras foi construída e enriquecida a partir dos lucros oriundos do trabalho dos brasileiros, e se tornou uma das maiores empresas mundiais devido ao monopólio e preços "exorbitantes" dos combustíveis cobrados aqui. Vemos agora Hugo Chaves, o amigo de Lula tramando com Evo Morales para expropriar os bens da Petrobras ao mesmo tempo em que o boliviano assina um contrato entre a PDVSA (estatal venezuelana de petróleo) para a construção de uma fábrica de separação de gás na região de Rio Grande, sendo que nossa empresa já tem fábricas desse tipo na região. Será que a ideologia dos auxiliares do nosso governante apedeuta supera todos os esforços que nossa população passou e ainda passa para mantê-la uma empresa rentável? Será que há desculpa para que o patrimônio dela, obtido de nós, de nosso povo, seja investido em outro país e este simplesmente expropria quando bem entende? Sim, porque na verdade não houve uma nacionalização, mas uma expropriação. É bom deixar isso bem claro. Na Bolívia, como no Brasil, no Chile e na maioria dos países, os recursos naturais já são Bens Nacionais, de acordo com as respectivas Constituições. Na Constituição Boliviana é no Capitulo II que trata dos Bienes Nacionales. Só podem ser explorados por concessão do Estado. E foi através de contrato de concessão que a Petrobras e mais outras 20 empresas estrangeiras, puderam se instalar lá. Se contratos e acordos feitos pelos governos passados não têm valor, quem nos garante que um outro louco não venha no futuro considerar como ilegítimo o acordo feito pelo Barão de Rio Branco, que permitiu-nos comprar as terras onde hoje se localiza o estado do Acre? Que levem os Viannas e a Marina Silva, mas as terras são do nosso país! Aliás, para quem não sabe, dias atrás Morales foi a Santiago discutir o reatamento das relações diplomáticas com o Chile, suspensas há muitos anos, e negociar a recuperação de um acesso ao Pacífico para a Bolívia, entre o norte do Chile e o sul do Peru. Na sua volta à Bolívia, 10 mil bolivianos reunidos no Estádio Nacional, o aplaudiram com a saudação: "Mar para a Bolívia". A diplomacia de uma nação serve para delimitar e desencorajar ações como essas, e sempre fomos respeitados por seguir a linha de um dos nossos verdadeiros heróis, o Barão de Rio Branco, que resolveu todas as nossas pendências com os países fronteiriços, mas este nosso governo de amadores sujeita a nação aos riscos da ideologia do partido. É um governo de "mierda", diga-se, pois aceitar passivamente a expropriação dos bens da Petrobras e ainda afirmar em nota o direito "à soberania" do país vizinho, deixa subentendido que a Petrobras estava violando ou pilhando e não investindo para gerar riquezas na Bolívia. Se o índio tem suas razões para fazer isso, não nos interessa. Pode até ter, mas nas bandas dele, aqui o que nos interessa é a nossa soberania e o respeito ao nosso capital usado para produzir riqueza lá. A Petrobras investiu e transformou o gás de lá em uma fonte de renda para o país que não tinha como fazer isso. Agora, se os dividendos gerados não foram geridos para o bem do povo boliviano, não nos interessa. É um problema administrativo deles. E à diplomacia brasileira deveria interessar, sobretudo, preservar o cumprimento do contrato e o patrimônio da empresa brasileira, lá investido. Mas o corpo diplomático montado por este governo de "mierda", se ateve mais em exaltar as belezas dos Lagos Andinos e o curioso hábito de mascar folhas de coca, do contrário saberia que no dia 22 de abril Morales anunciou que "nos próximos dias" entraria em vigor o Plano Nacional de Desenvolvimento e o Programa de Nacionalização (sic) do Petróleo e do Gás. E a reação do Brasil de Lula? Reunir-se com Evo Morales, Nestor Kirchner e o "mui amigo" Hugo Chávez. Pra quê? Engana-se quem pensa em uma negociação sobre expropriação ou a determinação de que o valor da produção será distribuído 82% para o governo boliviano e 18% para as companhias. Que nada! A reunião é para discutirem a integração energética entre os países sul-americanos. Anos atrás um trabalhador chileno dizia em uma faixa em defesa do então presidente Allende, durante um dos seus últimos comícios: "és un gobierno de mierda, pero és mi gobierno". Pois é, toda a campanha de Evo Morales foi feita baseada no compromisso de que romperia os contratos de concessão com empresas internacionais que lá exploram o gás e o petróleo. Foi essa bandeira que fez Morales vencer as eleições, e com o apoio do nosso "gnomo de botequim". Pena mesmo Lula não ter aprendido o Latim (como lamentou ele em uma de suas célebres frases: "Eu gostaria de ter estudado latim, assim eu poderia me comunicar melhor com o povo da América Latina"), se tivesse, provavelmente entenderia hoje que "nuestro gobierno és una mierda, com una diplomacia tambiem de mierda, mas pone mierda en eso"! Adriana Vandoni é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ. E-mail: avandoni@uol.com.br Publicado em 07/05/2006 BLOG CASAGRANDE |
Entrevista:O Estado inteligente
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terça-feira, maio 09, 2006
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