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domingo, abril 24, 2016

Riscos dos desinvestimentos da Petrobrás - Economia - Estadão

Riscos dos desinvestimentos da Petrobrás - Economia - Estadão

Riscos dos desinvestimentos da Petrobrás

ADRIANO PIRES

24/03/2016 | 06h00 0

Em 2015, quando a atual diretoria da Petrobrás assumiu o comando da estatal, foram tomadas duas decisões que, na ocasião, agradaram muito ao mercado. A primeira foi o corte dos investimentos. Em fevereiro de 2015, o plano apresentado durante o primeiro mandato da presidente Dilma foi cortado em 41% (de US$ 220,6 bilhões para US$ 130,3 bilhões). Em outubro de 2015, novo corte, agora de 20% na soma de investimentos do biênio 2015-2016. No início de 2016 foi anunciado o terceiro corte, com redução dos investimentos no Plano de Negócios 2015-2019 de US$ 130,3 bilhões para US$ 98,4 bilhões, mais de 24%.

A consequência principal desses cortes é de uma completa desmobilização de toda a cadeia de fornecedores, com implicações sérias para o desemprego e a renda nas regiões afetadas, além de uma drástica revisão das metas de produção de petróleo para 2020. No primeiro governo Dilma, a meta de produção era de 4,2 milhões de barris/dia, no início de 2015 foi de 2,8 milhões de barris/dia e, agora, em janeiro de 2016, passou a ser de 2,7 milhões de barris/dia.

Outras Notícias

A segunda decisão tomada e, anteriormente, sempre negada pela presidente Dilma é a venda de ativos. A diretoria da empresa anunciou um Plano de Desinvestimentos em que seriam vendidos ativos no valor de US$ 15,1 bilhões no biênio 2015-2016 e US$ 42,6 bilhões no de 2017-2018. O fato é que em 2015 a empresa só conseguiu US$ 700 milhões, com a venda de 49% da participação da Petrobrás nas concessionárias estaduais de distribuição de gás natural (Gaspetro).

Esse plano de desinvestimentos, apesar de bem-vindo, contém três grandes riscos. O primeiro é, mais uma vez, a perda de credibilidade da empresa pelo fato de que, em razão da atual situação do mercado de petróleo, é simplesmente impossível vender o valor anunciado num prazo de três anos.

O segundo risco é de que, mesmo arrecadando US$ 50 bilhões com a venda dos ativos, o problema da dívida da empresa, que hoje é de R$ 540 bilhões, não seria resolvido, só melhoraria a liquidez de curto prazo, mas, por outro lado, tiraria geração de caixa futura.

O terceiro risco, ainda pouco discutido, é o efeito que a venda desses ativos teria no mercado e para os consumidores, caso não seja revista a atual legislação e regulação. Não podemos esquecer de que, com tal venda, a Petrobrás se desfaz de monopólios, ou seja, a estatal pode estar transferindo monopólio estatal para monopólios privados.

Num país minimamente organizado e preocupado em estabelecer legislações e regulações que protejam o consumidor e o mercado da entrada de investidores abutres, os órgãos responsáveis deveriam, neste momento, estar promovendo uma revisão da regulação, adequando-a ao novo cenário que virá com a venda de ativos da Petrobrás. A própria empresa deveria, também, ter essa preocupação pelo fato de isso valorizar os ativos em questão.

Vamos a um exemplo concreto: a Petrobrás vem anunciando a venda da empresa responsável pelo transporte de gás natural na Região Sudeste. A empresa Nova Transportadora do Sudeste (NTS) surgiu de uma cisão da TAG em malha Sudeste e Nordeste. Segundo circula no mercado, a Petrobrás estaria disposta a vender 80% dessa empresa e passar sua operação ao novo acionista majoritário. Dependendo de quem for o novo operador, dos contratos assinados e das tarifas estabelecidas, isso pode gerar grandes estragos no mercado. O correto seria o governo aproveitar a venda desse ativo e estabelecer uma desverticalização no mercado de gás natural no País. Isso significaria estabelecer que a empresa compradora da NTS não pudesse estar envolvida nem na produção nem tão pouco na distribuição de gás. Esse é o modelo adotado por países que têm um mercado maduro de gás natural. Trata-se apenas de um exemplo, mas poderíamos falar dos problemas regulatórios envolvendo a venda da BR Distribuidora, das térmicas e de outros ativos.

É bom deixar claro que não sou contra a venda de ativos, só estou chamando a atenção para que isso deveria ser feito com a apresentação de um plano estratégico, pela Petrobrás, e com os devidos cuidados legais e regulatórios.



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sábado, abril 23, 2016

INDICE de artigos 23/4/16 '

INDICE 23/4/16

sábado, abril 16, 2016

quinta-feira, abril 07, 2016

Voto de cabresto Estadão Editorial

Voto de cabresto

Muito antigamente, ainda na República Velha, os "coronéis", como eram chamados os oligarcas locais, tinham várias maneiras de obrigar os eleitores a votarem em seus candidatos. Não era incomum que o chefe entregasse ao caboclo metade de uma cédula de dinheiro – e o infeliz só receberia a outra metade se votasse no nome indicado pelo "coronel", sob a devida supervisão de seus peões.

Outro método consistia em dar ao eleitor apenas um pé de um par de botinas. Assim como no caso do dinheiro, o pobre ganhava o outro pé se o candidato do patrão vencesse a eleição.

Pois o que Dilma está fazendo no Congresso, em seu desespero para salvar-se do impeachment, em nada difere, em essência, dessa relação de mandonismo do Brasil arcaico. É a isso o que a alardeada modernidade política prometida pelo PT reduziu o exercício da Presidência da República.

Sem contar com o apoio do PMDB, Dilma e seu padrinho, o capo Luiz Inácio Lula da Silva, partiram para a negociação de votos no varejo: andam prometendo a parlamentares de diversos partidos, muitos dos quais nanicos sem nenhuma representatividade, preciosos cargos nos diversos escalões da administração, além de apetitosas verbas. Nunca se viu nada parecido com isso – até mesmo o notório deputado Paulo Maluf, pasme o leitor, sentiu-se à vontade para se dizer indignado com o feirão de Dilma.

No entanto, bem ao estilo dos "coronéis" que não confiam na fidelidade de seus empregados na hora do voto, Dilma mandou avisar que não entregará nenhum cargo antes da votação do processo de impeachment na Câmara. Ou seja: para fazer sua parte no acordo, a presidente quer ver primeiro em quem o parlamentar vai votar. Teme que aconteça o mesmo que houve em 1992 com o então presidente Fernando Collor, que acabou sendo traído em massa quando o impeachment foi ao plenário.

É o voto de cabresto. Dilma segue assim a lógica de um governo já inteiramente entregue às mais retrógradas práticas políticas e que se empenha em avacalhar de vez o Congresso. A presidente acha que está lidando com lobos vorazes e raposas felpudas e que precisa se cercar de garantias. Com apoio rarefeito dentro do Congresso, a petista lançou-se de corpo e alma à negociação com a ralé parlamentar, disposta a fazer qualquer negócio. Não é improvável, assim, que muitos desses deputados, diante da possibilidade de que o impeachment se torne irresistível e tenha, como já tem, amplo apoio da opinião pública, acabem preferindo ficar só com um pé do prometido par de botinas.

Só que todos se merecem e a desconfiança é recíproca. Os deputados que o governo está tentando cooptar também acham que, uma vez vitoriosa, Dilma pode deixar de entregar o que está oferecendo. Dizem que o governo petista não costuma honrar seus compromissos políticos. O fato de até a raspa do tacho do Congresso suspeitar da capacidade de Dilma de cumprir o que promete diz muito sobre o que é o governo do PT.

A propósito de se manter no poder, Dilma e Lula nivelaram a Presidência ao mais baixo patamar da atividade dita política. Não existe mais política, apenas negócios. Troca-se espaço dentro do governo não em razão de competências e habilidades, de afinidades partidárias ou programáticas, e sim, apenas e tão somente, por um voto contra o impeachment.

Um governo formado a partir desse tipo de conchavo condenaria o Brasil a um retrocesso sem paralelo na história recente. Executivo e Legislativo estariam se associando não para fazer respeitar a democracia, mas para solapá-la, em favor de sombrios negócios. Se esse processo não for interrompido, o "coronel" Lula, Dilma e a tigrada terão corrompido totalmente a política, empreendimento em que estão empenhados desde que o PT chegou ao poder. 



terça-feira, março 29, 2016

Sem choro, nem vela. Josef Barat

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O ESTADO DE SÃO PAULO - Economia e Negócios



Sexta Feira, 29 de Março de 2016.

 


Não é preciso chorar, nem acender vela para esse governo agonizante. Basta uma fita verde e amarela – sem o nome dela. Apesar da ruina, o Brasil está vivo e com esperança em um futuro melhor. Está consciente de quanto custou a incompetência de um governo dedicado obstinadamente a errar. A impressionante mobilização popular mostrou que a absoluta maioria dos que trabalham (ou perderam seus empregos) e pagam pesados impostos, não quer mais ser refém dos que se julgam os eternos donos do poder.

 

Diante desse ambiente angustiante de recessão, desemprego, inflação, descontrole total das contas públicas e descrédito internacional, o que se tem com resposta? O governo nos oferece arrogância, perda do senso do ridículo, falta de respeito e insistência em repetir os mesmos erros. Emendas são alardeadas – cada vez mais mambembes que os sonetos – num jogo de prestidigitação que envergonha mágicos profissionais. E quais as razões que levam às ruas multidões? Elas se sentem atingidas pela afronta, desfaçatez e deboche. E por que um ex-presidente que deixou um legado importante, se presta a protagonizar um papel ridículo e degradante?

 

É importante entender como foi meticulosamente gerado o caos econômico. O primeiro governo Lula, tirou partido de uma conjunção favorável: preservação do poder de compra pelo controle da inflação, expansão e diversificação do consumo com suporte da expansão do crédito e o câmbio favorável às importações. Adicionalmente, houve o barateamento dos bens industriais de consumo, em razão das cadeias produtivas globalizadas. Um legado inegável foi o maior alcance dos programas de redistribuição de renda e inclusão social. O cenário internacional favoreceu o grande impulso nas exportações, apoiado em um prolongado ciclo de valorização das commodities. Houve ainda continuidade na atração do capital privado para investimentos, inclusive nas infraestruturas. Por fim, a preservação da credibilidade e atratividade do país, inclusive obtendo o "Grau de Investimento".

 

No segundo governo Lula, todavia, já se vislumbrava sinais de um esgotamento do ciclo baseado na expansão do consumo e baixa capacidade de investimento. Buscou-se como alternativa para dinamizar o crescimento um novo nacional desenvolvimentismo, uma visão ideológica reciclada que apostou em uma economia cada com vez mais apoiada no voluntarismo do Estado intervencionista. Foram resgatados antigos conceitos da liderança estatal nos investimentos, expansão do crédito e concessão de benefícios fiscais a setores "estratégicos". A política econômica foi dispersiva e sem coordenação de objetivos.

 

O primeiro governo Dilma, herdou as dificuldades geradas pelo esgotamento do ciclo de expansão do consumo e, atingido pela crise de 2009, optou por aprofundar mais as ações intervencionistas. Alterou a direção da política econômica, com a chamada Nova Matriz Econômica. A média da inflação nos primeiros quatro foi de 6%, batendo no teto da meta estabelecida. O represamento das tarifas dos combustíveis e da energia elétrica impediu que a inflação ultrapassasse o teto. Excetuando o crescimento de 2010 (7,5%), o desempenho do PIB foi medíocre no período. A taxa de investimento, com média de 18%, continuou a ser o grande fator restritivo para um crescimento mais forte e continuado.

 

A Nova Matriz cedeu mais espaço para os ideológicos, afrouxando os controles sobre os gastos públicos e os objetivos de superávit primário. Pôs em risco o controle da inflação – sempre batendo no teto da meta. Aprofundaram-se, ainda, as medidas pontuais de isenções fiscais e favorecimentos de crédito pelos bancos oficiais. O segundo mandato, mal iniciado, já revelava uma economia com gastos públicos sempre crescentes, inflação fora de controle, desemprego em dois dígitos, queda forte e continuada do PIB e aumento da Dívida Pública.

 

Não foi surpresa, portanto, o país quebrar e mergulhar na mais prolongada e grave recessão da sua história. Não tendo mais a quem culpar, os donos do poder perderam a compostura e partiram para o achincalhe...

 

Josef Barat - Economista, Consultor de entidades públicas e privadas, é Coordenador do Núcleo de Estudos Urbanos da Associação Comercial de São Paulo. 

 

 



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sexta-feira, março 25, 2016

Dilma na cerimônia do adeus Reinaldo Azevedo

Folha de SP

A irresponsabilidade de Dilma Rousseff e de Lula nessa reta final do governo é assombrosa. Tanto a dupla como o establishment petista sabem que nada mais pode ser feito. Acabou mesmo! Eles se dedicam agora é a criar uma narrativa da partida que possa manter reunido ao menos um pedaço da militância.

Quando a presidente, seu antecessor e a cúpula petista gritam "golpe!", já não falam mais para o conjunto dos brasileiros. É um discurso voltado para os fiéis, para a militância. Criar uma mitologia da derrota, para os tempos de deserto, é tão importante como criar uma da vitória para os tempos de bonança.

O PT está deixando o poder, mas pretende voltar. Para que possa se reorganizar, terá de encolher; de buscar as suas origens; de resgatar a mística do confronto de classes; de excitar, como nos tempos primitivos, não o desejo de consumo das massas, mas o ressentimento dos oprimidos. Lula não quer deixar o poder como um ladrão, mas como um excluído.

Será o patriarca banido da Terra Prometida depois de tê-la conquistado. Viverá de contar histórias e de excitar a imaginação dos mais moços. O PT, como o conhecemos, está morto, mas não a mística intelectualmente vigarista da redenção dos oprimidos que o embala. Esta é um dado permanente na história.

Até um novo barbudo já veio à luz para divulgar "a palavra". O Lula renascido é Guilherme Boulos. Consoante com os tempos da nova esquerda, ele não vem do chão de fábrica, mas dessas milícias supostamente benignas a que chamam "movimentos sociais".

Achando que um é pouco, o rapaz comanda dois movimentos: o MTST e a Frente Povo Sem Medo. Deveria logo abrir uma incubadora de produtos ideológicos do gênero. Se houver impeachment, o novo profeta promete "incendiar o país". Dito de outro modo: se o Congresso não vota como quer Boulos, ele não reconhece o resultado.

Lula nasceu para a política quando a esquerda foi levada a aderir à "democracia como um valor universal", para citar um texto de 1979, de Carlos Nelson Coutinho. Boulos será o líder de um período partidário em que a tolerância perderá até seu valor instrumental. Sem violência, ele está convicto, não haverá redenção. Sai Coutinho do altar, entra um delinquente intelectual como Slavoj Zizek.

Não se descarte, anotem aí, a criação de uma nova sigla que funda o que restar de PT, PSOL, PSTU e outras excrescências mais à esquerda. Como no começo.

A certeza de que o impeachment virá e a necessidade de organizar a resistência com os apaniguados expulsos do paraíso levam Dilma e Lula a anunciar país e mundo afora que um golpe está em curso no Brasil.

Fora do ministério, ele apenas exercita a retórica irresponsável de sempre, cada vez mais típica de um Lula que se mostra uma farsa de si mesmo. Ela, no entanto, se o que está na Constituição é para valer, está incorrendo em novo crime de responsabilidade ao acusar, na prática, o Supremo Tribunal Federal, que votou o rito do impeachment, de fazer parte de uma arquitetura golpista.

Não se descarte, ainda, que alguns cadáveres possam integrar essa narrativa da partida. Eles sempre estão no imaginário delirante e essencialmente criminoso das esquerdas. Ora, o que são alguns mortos quando o que está em jogo é a salvação da humanidade –e algumas contas secretas na Suíça?



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terça-feira, março 22, 2016

Reinaldo Azevedo-Sentido político do 'Cálice' de Chico se mostra agora vigarice - 22/03/2016 - Ilustrada - Folha de S.Paulo


Vândalos interromperam no sábado um espetáculo de teatro em Belo Horizonte, numa inequívoca manifestação de intolerância, e o ataque à liberdade de expressão teve continuidade nesta Folha, em texto do colunista Bernardo Mello Franco.
O evento se deu no Sesc Palladium, durante a apresentação da peça "Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos". O ator e codiretor Cláudio Botelho introduziu um caco com críticas a Dilma e Lula. Petistas da plateia começaram a urrar a palavra de ordem mais canalha da história do Brasil: "Não vai ter golpe". O espetáculo foi suspenso, e o dinheiro dos ingressos, devolvido.
Quarenta e oito anos depois de uma horda de fascistas de extrema direita ter invadido o teatro Ruth Escobar, em São Paulo, e espancado os atores que encenavam "Roda Viva", também de Chico, fascistas de esquerda mostraram a fuça. Desta feita, o cantor e compositor está com os bandidos. Cassou a autorização para Botelho usar as suas músicas. Compatível com um castrista, que defende censura a biografias.
Mas e Bernardo? Escreveu um artigo em que ignora o episódio em si, preferindo dar relevo a uma gravação clandestina, feita no camarim, em que Botelho vitupera, e com razão!, contra os agressores.
Para o colunista, o desabafo do artista -que ele chama de "chilique"- é a evidência de uma "face da nova direita" que "muita gente prefere fingir que não vê". Ele ataca também "boa parte da mídia".
Com esse vocabulário, ainda acabaria na Secom se o governo não fosse cair em maio.
Essa nova face seria marcada pela "raiva e intolerância". É mesmo? Petistas perseguem jornalistas nas ruas, que se escondem para não ser espancados.
Há muito não lia um texto que invertesse, de forma tão absoluta, os papéis do agressor e da vítima. Ao transformar Botelho em responsável pela violência que sofreu, Bernardo confere a plateias, Brasil afora, a licença de encabrestar autores e atores, decidindo, no muque, que espetáculo pode e não pode ter continuidade.
Escreve ele: "Perseguido pela ditadura militar, Chico já viu este filme antes. Por isso, retirou a autorização para Botelho usar suas canções." O colunista inventou a censura redentora, aquela que redime e previne os pecados do mundo.
Lembro ao jornalista que a essência de sua profissão é a liberdade de expressão. Quem confere a grupelhos a licença de decidir o que pode e o que não pode ser dito põe uma corda no próprio pescoço.
Parece que Bernardo, infelizmente, não é contra a censura. Ele só não aceita que se calem as pessoas erradas.
E Chico? O tempo se encarregou de mostrar que "afasta de mim esse cálice" era só um trocadilho que rebaixava a simbologia religiosa e alimentava a infâmia estética.

E Chico? O tempo se encarregou de mostrar que "afasta de mim esse cálice" era só um trocadilho que rebaixava a simbologia religiosa e alimentava a infâmia estética.
Sua única virtude era o sentido político, que se mostra, agora, uma vigarice.



quarta-feira, março 16, 2016

Alexandre Swartsman Asneiras sem reservas.

Alexandre Swartsman Asneiras sem reservas. 

16/03/2016

Uma empresa enfrenta um período de incerteza, durante o qual poderá enfrentar desembolsos expressivos, mas não sabe nem quando estes ocorrerão nem seu valor preciso. Como sua geração de caixa não é suficiente, tratou de tomar dinheiro emprestado, antes que viesse a precisar dele, partindo do pressuposto (geralmente correto) de que crédito costuma ser mais abundante antes de se tornar necessário.
Desde então mantém recursos em caixa, devidamente aplicados, é claro, mas a uma taxa de juros menor do que a que paga pelo empréstimo. Perde dinheiro, porém encara essa despesa como um seguro: sabe que os recursos estarão disponíveis quando (e se) forem requeridos, garantindo sua sobrevivência em tempos turbulentos.
Palpiteiros, que sempre há de sobra, contudo, sugerem que a empresa use o dinheiro em caixa para novos gastos, que, segundo eles, terão efeito positivo perante os acionistas da companhia. O diretor financeiro se recusa, mas a presidente, influenciada pelo seu antecessor no cargo (e palpiteiro-mor), balança.
É óbvio que a ideia não presta. Caso gaste o que tem em caixa, a empresa não só fica sem ter como enfrentar eventuais desembolsos (o que piora a qualidade do seu crédito) como perde as condições de pagar o que tomou emprestado para formar seu "colchão de liquidez". Caso a presidente caia no conto dos palpiteiros, corre o risco de quebrar a empresa.
É também óbvio que se trata de uma metáfora do Brasil e da ideia cretina de usar as reservas hoje no Banco Central para aumentar o gasto.
À parte as limitações legais (que, diga-se, sempre podem ser contornadas no país da pedaladas), essa proposta teria efeitos desastrosos. Como as reservas foram constituídas por meio de endividamento (o BC as comprou com dinheiro que criou, mas, em seguida, trocou por títulos da dívida), usá-las significaria ter menos recursos para pagar o que deve, como a empresa em nosso exemplo.
Em segundo lugar, caso as condições externas piorem e os mercados de crédito se fechem para o país, teríamos que reduzir o deficit externo ainda mais rápido do que estamos fazendo, o que tipicamente exige queda do consumo e investimento, assim como contração mais aguda dos gastos públicos, ou seja, ajuste fiscal ainda mais urgente do que hoje.
É possível, claro, argumentar que temos reservas em excesso, mas, se esse for mesmo o caso (o que não sabemos), o curso ideal de ação seria usar esse excedente para reduzir a dívida ou liquidar os swaps cambiais. Em qualquer uma dessas circunstâncias a solvência do governo melhoraria, desde que fosse realmente verdade que o atual nível de reservas supera por larga margem o apropriado para a atual situação do país, pergunta ainda não respondida.
Por fim, note-se que nosso problema não é a falta de gasto público, que vai muito bem, obrigado, crescendo firme e forte há pelo menos 24 anos. O problema é gasto demais com eficiência de menos, questão que palpiteiros fingem não ser com eles. (Houve um que, há pouco, afirmou ter havido redução do gasto no atual governo, vejam só!)
Soluções mágicas não faltam; faltam soluções mágicas que funcionem. Enquanto essas não aparecem (e jamais aparecerão), melhor seria que os palpiteiros guardassem para si as asneiras, com sua defesa da Nova Matriz Econômica

O Brasil se tornou claramente globofóbico nos últimos treze anos e o uso das reservas só faria aumentar o nosso isolamento. Isso porque reservas cambiais são utilizadas para caucionar as nossas transações correntes: viagens, pagamento de serviços, pagamento de royalties, pagamento de mercadorias que precisamos importar, abastecimento de aviões e navios no exterior e muito mais. Itamar já havia pensado nessa alternativa em 92, mas felizmente voltou atrás porque tinha auxiliares de bom senso.

Não deve-se duvidar de nada mais, está claro que a única preocupação é manter o p/t no poder, eles não vão largar o osso e se largar vão arrumar um jeito de deixar o maior prejuízo possível para quem ficar agora e no futuro também.

Os deuses enlouquecem aqueles a quem querem destruir.

O comentário não representa a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem


Folha de S.Paulo 2016




terça-feira, março 08, 2016

Somos todos desonestos Ricardo Amorim

Somos todos desonestos

Era uma vez um jovem honesto e idealista que, um dia, descontente com o rumo do país, resolveu entrar para a política. Seu objetivo: mudá-lo para melhor. Em sua terceira campanha eleitoral, finalmente se elegeu vereador.

Eleito, ele começou a enfrentar dificuldades na Câmara Legislativa Municipal. Três anos depois, nada do que propôs havia sequer sido votado, quanto mais aprovado. Enquanto isso, diversos de seus colegas aprovavam tudo o que queriam, normalmente apenas em benefício próprio.

As eleições se aproximavam e, com elas, a necessidade de financiamento para a próxima campanha e de alguma realização para apresentar a seus eleitores. Ele resolveu que, em nome de um bem maior, seu projeto de um país melhor, por uma única vez aceitaria participar de um esquema ilícito para aprovar seu projeto e financiar a campanha. Afinal, o que era uma única "pequena" irregularidade em relação a seu importante e grandioso projeto?

Depois disso, ele se elegeu deputado estadual, deputado federal e há mais de 20 anos é senador. Nesse meio tempo, aprovou inúmeros projetos. Hoje, é rico, poderoso e invejado. O jovem que 40 anos antes quis entrar para a política para mudar o país não o reconheceria. Ele virou político para combater pessoas como a que ele mesmo acabou se tornando.

Cercado por outros corruptos, hoje ele sequer acha que o que faz é corrupção. É apenas a forma como as coisas são feitas. Nós, seres humanos, temos a habilidade de acostumarmo-nos com quase qualquer situação, o que é muito útil para lidar com as mudanças que a vida sempre traz. Infelizmente, esta habilidade vem com um grande ônus. Nós nos acostumamos e consideramos normal o que a maioria está fazendo, principalmente se incluir nosso próprio grupo social. Até ao nazismo, em um dado contexto histórico, muitos acabaram se acostumando e até aderindo. No Brasil, acostumamo-nos com a corrupção.

A percepção é que a maioria é corrupta. Trouxas são os que não aproveitam as oportunidades de benefícios próprios que determinados cargos ou situações criam.

Essa percepção acaba determinando as ações de muitos e criando uma profecia auto-realizável. Se você acha que essa história só vale para políticos e empreiteiros, atire a primeira pedra quem nunca traiu a namorada, colou na prova ou guiou no acostamento.

O mesmo sujeito que joga uma garrafa na rua e se queixa de como sua cidade está suja não joga nem uma bituca de cigarro e elogia a limpeza quando viaja para Miami ou Cingapura. O padrão aqui é sujar e reclamar. Lá, é cuidar e elogiar. A pessoa é a mesma. Precisamos criar condições que estimulem os comportamentos que queremos. A cidade de Nova York, onde morei por quase dez anos, é famosa por ter reduzido radicalmente a criminalidade e a sujeira com tolerância zero a ambas. Aqui, precisamos estender a tolerância zero a todos os padrões errados com os quais nos acostumamos. Aceitando pequenos delitos abrimos a porta para delitos cada vez mais graves, até que eles se tornam a norma.

No Japão, um político corrupto sente tanta vergonha quando descoberto que, muitas vezes, se suicida. No Brasil, até recentemente, políticos corruptos sequer temiam ser punidos.

Tomara que a Operação Lava Jato e punições severas aos culpados comecem a criar uma nova cultura no país, mas se queremos, realmente que o país mude, temos antes de mais nada que ser a mudança que queremos ver.

Ricardo Amorim é economista, apresentador do programa "Manhattan Connection", da Globonews, e presidente da Ricam Consultoria  

domingo, fevereiro 28, 2016

Caixa de penhores - SUELY Caldas Estadão

Caixa de penhores - Economia - Estadão

Com sua política econômica rejeitada pelo PT, pelo padrinho Lula e por quem tem poder de investir e fazer rodar a economia, a presidente Dilma Rousseff e seu ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, conseguiram fechar o círculo de oposição ao esforço desesperado para sair do atoleiro e dar aparência de que existe comando e um governo que vai pôr o Brasil na rota do crescimento. PT e Lula, agora, propõem um plano de governo em oposição ao que ela acaba de lançar esperando seduzir empresários, investidores e o mercado financeiro.

Foi um fiasco. A descrença no governo, que já era grande, piorou. A Moody's, única agência de risco que ainda mantinha o grau de investimento do Brasil, no dia seguinte rebaixou a nota do País em dois pontos e sinalizou viés de baixa. Dilma e Barbosa estão perdidos e os brasileiros, mergulhados no desemprego e na expansão da pobreza. A cena de uma família pobre e triste encarando o prato vazio na mesa, explorada por Dilma na eleição para condenar proposta da candidata Marina Silva, saiu do imaginário para a vida real de milhares de brasileiros. Hoje Dilma protagoniza a acusação feita à Marina e seu marqueteiro, que criou a cena da campanha, está preso.

Outras Notícias

Entre a promessa de reforma da Previdência e a apropriação indevida de dinheiro dos precatórios, há no ajuste fiscal do governo uma proposta em gestação com poder explosivo de criar problemas de difícil solução para sucessores de Dilma. Trata-se da federalização de empresas estatais estaduais que governadores repassariam para o governo federal privatizá-las, e o dinheiro da venda seria aplicado para abater o valor das prestações mensais da dívida dos Estados com a União.

Vendida como alívio ao sufoco financeiro que governadores vivem hoje, o Ministério da Fazenda ainda não detalhou a proposta, mas a comparou com a experiência vivida no governo FHC, que condicionou o alongamento da dívida dos Estados com a União à privatização dos bancos estaduais. Na época, o objetivo dos economistas de FHC era acabar com o farto uso do dinheiro desses bancos (todos carregavam rombos gigantes) para financiar campanhas eleitorais e enriquecer governadores e amigos. Para isso foi criada uma diretoria específica no Banco Central (BC), que acabou por privatizar todos os bancos e pôs fim a uma fonte poderosa de fraudes e corrupção. Regras semelhantes serviram para privatizar as distribuidoras estaduais de energia elétrica, igualmente usadas por governadores para financiar campanhas políticas. Agente da privatização, o BNDES vendeu 20 empresas estaduais de energia e arrecadou US$ 18,330 bilhões para os Estados.

Na época, a ideia deu certo porque: 1) havia vontade política do governo, pois a ideia era parte importante de uma bem arquitetada e abrangente reforma do Estado; 2) os escândalos de fraudes e roubalheiras nessas empresas penalizavam a população, que, cansada de pagar o prejuízo, deu apoio popular à privatização, tanto que a oposição feita pelo PT e sindicatos foi pobre em adesões; e 3) o governo escolheu quadros técnicos e experientes do BC e do BNDES para preparar licitações, avaliar ativos, enfim, levar as empresas a leilão com chances reais de sucesso.

Nada disso há hoje no governo Dilma. A falta de confiança tem afastado potenciais investidores e o programa de privatização se arrasta, porque não há competência técnica para conduzi-lo, além de enfrentar tiroteios vindos do próprio PT. Mas há ainda outro fator na proposta tão perigoso quanto arriscado: o governo federal virar uma caixa de penhores não de joias preciosas e valiosas penduradas no prego por governadores, mas de bijuterias vagabundas e bugigangas invendáveis.

"Cada Estado vai apresentar a empresa que acreditar ser mais interessante se desfazer em troca de uma redução no fluxo de pagamento de dívidas", explicou o secretário do Tesouro Nacional, Otavio Ladeira. Sem nenhuma dúvida, governadores vão empurrar para Brasília suas piores empresas. Como as distribuidoras elétricas de seis Estados que há anos a Eletrobrás tenta e não consegue vender.

* É jornalista e professora da PUC-Rio. E-mail: sucaldas@terra.com.br



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