"Decidida a escolha do candidato ao governo de São Paulo, o PT pode agora começar a montar os palanques.
Aloísio Mercadante é um candidato menos competitivo, pois estava atrás de Marta Suplicy nas pesquisas, mas tem um passivo menor. A rejeição a Mercadante é menos da metade da rejeição a Marta Suplicy.
De outro lado, o PT injeta um pouco de novidade na campanha, evitando que a disputa pelo governo de São Paulo se transforme num terceiro turno entre Marta e Serra.
O problema agora é a composição das chapas.
Tudo o que o PT nacional deseja é uma aliança com o PMDB. Aliança formal, com pedido, bênçãos dos pais da noiva, festança de casamento e tudo conforme o figurino.
É compreensível a intenção do PT. Em 2002, com a maré montante a favor de Lula, o PT elegeu apenas 92 deputados federais. Precisou fazer alianças para poder constituir uma base majoritária de apoio ao presidente Lula no Congresso.
E hoje sabemos bem que a base aliada foi construída e engordada à base de mensalão.
Portanto, se Lula for reeleito, é fundamental contar desde logo com o apoio de um grande partido. E o único grande partido disponível no mercado é o PMDB.
Mas também no Executivo Lula enfrentará problemas, se for reeleito. No primeiro mandato, chamou para o ministério aquilo que considerava os melhores quadros do PT.
Dividiu o ministério, criou novas pastas para abrigar os companheiros derrotados nas campanhas estaduais, enfim, povoou o Executivo de petistas.
Mas, como se viu, a maioria esmagadora dos ministros petistas revelou-se inexperiente e inoperante. Alguns deles estão hoje envolvidos num sem-número de inquéritos policiais, acusados até de chefiar uma organização criminosa.
Os melhores ministros de Lula nunca foram petistas.
Num eventual segundo mandato, o presidente terá dificuldade ainda maior de encontrar petistas competentes ou experientes.
Também nessa hora o PMDB é fundamental. Os peemedebistas conhecem bem a máquina pública, ou porque já foram governadores e ministros, ou porque vêm de uma longa militância nos seus estados, ou ainda porque nunca se afastaram do poder, essa é a verdade. Assim sendo, um casamento de papel passado entre PT e PMDB faria a alegria do presidente Lula.
O ministro Tarso Genro já foi até fazer o pedido ao pai da noiva, o deputado Michel Temer.
Dependendo do resultado da convenção do PMDB no próximo fim de semana, o casório pode até sair."
Enviada por: Ricardo Noblat