A entrevista de Sílvio Pereira reforça uma verdade inconteste: Lula é um presidente refém de um bando de gente. Para que possa se reeleger, depende do silêncio de Marcos Valério, Delúbio Soares, Marcelo Sereno, José Dirceu, José Genoíno, Sílvio Pereira e sabe-se lá mais de quem.
O silêncio pactuado pela turma foi quebrado pela entrevista de Sílvio. É bobagem querer minimizá-la como os líderes do PT farão, os militantes do partido e eventuais porta-vozes do governo. Pela primeira vez alguém do primeiro time do PT disse o que Sílvio disse. Ele foi simplesmente o secretário-geral do partido.
Confusas, contraditórias ou incompletas, as declarações de Sílvio avalizam a fala inicial de Roberto Jefferson, o relatório final da CPI dos Correios e a denúncia oferecida pelo Procurador Geral da República ao Supremo Tribunal Federal. O Procurador identificou a ação de uma "quadrilha criminosa" que se apossou de parte do aparelho do Estado.
Dará em alguma coisa a entrevista de Sílvio?
É claro que não. Por um simples fato: não há oposição no país. Digna desse nome, não há. Ela não teve no passado e continua sem ter nos dias que correm interesse algum em tentar tirar Lula do poder. Prefere que ele fique por lá mais quatro anos. Para depois sucedê-lo à falta de um nome do PT capaz de fazê-lo.
Para empresários, banqueiros e donos de parte da mídia, tanto faz como tanto fez. Podem torcer por Geraldo Alckmin, como de fato torcem. Mas se der Lula, tudo bem. Não perderão um tostão com isso. Lula não frequenta o clube deles. Mas não os ameaça. Pelo contrário.
Quem mais poderia provocar marola suficiente para desequilibrar a cadeira de Lula? Os movimentos sociais. Mas esses estão do lado dele. Preferem engolir o fato de que houve grossa corrupção no governo que ajudaram a eleger a conviver com "a direita" novamente no poder.
Como se houvesse muita diferença entre a "direita" e a "esquerda" que apóiam...
O que disse Sílvio aumentará a rejeição do governo em meio à classe média. Mas essa só se manifesta por meio da internet. E sozinha não tem força para quase nada. Dela se dirá que é moralista e que vive distante do povo satisfeito com um governo que lhe garantiu o Bolsa Família e mais empregos.
Quanto a Lula, seguirá se fazendo de bobo. A cúmplice ou a principal responsável por uma lambança que a essa altura teria derrubado outro governo, qualquer um, aceita a amena acusação de ter sido um presidente da República inepto. Somente inepto.
Enviada por: Ricardo Noblat