| Artigo - CARLOS ALBERTO SARDENBERG |
| O Globo |
| 4/5/2006 |
Do jeito que vai, a próxima questão é saber quando o novo Mercosul vai convidar Cuba para entrar no bloco. Qual novo Mercosul? Esse aí, sob a liderança do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Exagero? Observe-se então a cúpula marcada para hoje, em Puerto Iguazu. O problema central envolve Brasil e Bolívia e decorre da nacionalização da Petrobras decretada pelo presidente boliviano Evo Morales. É assunto, portanto, de Lula com o companheiro Morales. Mas chamaram Chávez para a cúpula. Chamaram também Nestor Kirchner, o que faz algum sentido. A Argentina, como importadora do gás boliviano, é parte da história, mas parte menor porque não há estatal argentina sendo confiscada. Assim, a questão comum entre Brasil, Argentina e Bolívia é a manutenção do fornecimento de gás e o preço. Lula continua precisando de um particular com Morales para o tema Petrobras. Chávez continua não tendo nada a ver com isso, a não ser de modo muito indireto. A Venezuela tem reservas de gás, maiores do que as bolivianas, e promove a idéia de um megagasoduto para levar seu produto a toda a América do Sul. Se fosse viável, seria uma alternativa, concorrência ao gás boliviano. Seria para isso — ameaçar Evo Morales — que Chávez teria sido convidado a Foz do Iguaçu? Certamente não. Ele está lá como mentor, guia e suporte do colega boliviano. Os dois, aliás, acabam de assinar um tratado comercial com Cuba. Chávez é o líder sul-americano da ala nacional-populista. Já o presidente do Uruguai, Tabare Vazquez, encontra-se hoje em Washington com o propósito de explorar a viabilidade de um tratado de livre comércio com os Estados Unidos. Vazquez também vem da esquerda, sua Frente Ampla é muito parecida com a coalizão formada em torno de Lula, antes da entrada dos partidos do mensalão. O Uruguai também pertence ao Mercosul, mas seu atual governo está achando que o bloco serve mais aos sócios grandes, Brasil e Argentina. Daí seu interesse em negociar acordos com os EUA e outros países. O ponto interessante nessa história é que o chanceler brasileiro, Celso Amorim, já disse que o Uruguai deve deixar o Mercosul se assinar um tratado bilateral com os EUA. Nessa linha, o Mercosul ficaria com a Bolívia, já convidada, e sem o Uruguai, um fundador. De todo modo, supondo que o Uruguai abra as negociações com George Bush, haverá uma outra crise nesta região, mas vinda exatamente de lado contrário. Pela Bolívia, o Brasil de Lula é alvo de uma nacionalização da qual a esquerda tradicional sempre gostou. Pelo Uruguai, a ameaça, digamos assim, é a expansão do chamado neoliberalismo e da influência dos EUA, coisa que Lula dizia combater quando ajudou a melar as negociações em torno da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Eis onde o presidente brasileiro se meteu. Pretendendo ser o líder da América do Sul, primeiro, depois da América Latina e, finalmente, de todo o mundo emergente para falar "olho-no-olho" com os EUA, Lula acabou apanhado entre duas tendências. De um lado, o nacional-populismo de Chávez impulsionado pela nacionalização dos investimentos dos gringos na Bolívia e o tratado com Cuba. De outro, a linha muito bem representada por um ato recente de Vazquez, que foi a assinatura com os EUA de um tratado de proteção dos investimentos estrangeiros. Poderia ser mais claro? Esta segunda linha poderia também ser chamada de chilena: mercado, garantia aos investimentos, segurança dos contratos e abertura comercial ao exterior. O Chile, que é sócio, não membro, do Mercosul, já tem acordos de livre comércio com EUA, México, Europa, China e Coréia do Sul. Segundo o presidente uruguaio, trata-se de um "país moderno e aberto a uma integração mundial", modelo que pretende seguir. O governo uruguaio tem afirmado que, pela sua interpretação, tem todo o direito de assinar acordos comerciais com terceiros países, permanecendo como membro pleno do Mercosul. Se o governo brasileiro insistir na tese contrária — ou Mercosul ou EUA — e se o Uruguai iniciar as negociações em Washington, certamente será necessário convocar outra cúpula. Participariam Vazquez, Lula e Kirchner, sem dúvida. Mas quem seria o convidado de fora? A presidente do Chile, Michelle Bachelet, ou ele, o próprio George Bush? |
Entrevista:O Estado inteligente
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