| Artigo - Durval Guimarães |
| Gazeta Mercantil |
| 4/5/2006 |
"Não queremos patrões", dizia, e o público não imaginava que ele se referia a nós. Conheci o presidente boliviano, Evo Morales, há um mês, quando ele completava os primeiros 60 dias de seu governo. Na verdade, apenas o vi, a menos de cinco metros de distância. Ele, sentado atrás de uma diminuta mesa escolar, junto com outros dois companheiros, eles também de jaqueta, numa cena de assembléia universitária do século passado. Estávamos ali para uma entrevista coletiva, mas tudo parecia nos devolver àqueles anos malucos, época em que bandos de estudantes desorientados anunciavam aos brasileiros um atalho armado para seu irrecusável destino. Mal sabiam que o caminho não passava de um labirinto aterrorizante, que não levaria senão ao sofrimento e a mortes. Voltemos, porém, àquela sala sombria, nos porões do Palácio das Artes, onde disputávamos as primeiras cadeiras para conhecer as idéias de um índio que discursava contra as elites do seu país e prometia duro combate aos opressores de seu povo. "Não queremos patrões", ele falava, e o público o ouvia com simpatia, sem imaginar que o orador se referia a nós, os brasileiros, como os fatos mostrariam neste 1 de maio. Morales chegara a Belo Horizonte na noite anterior à reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e fora uma das estrelas na solenidade inaugural da festa da instituição, no andar de cima. Em sua fala queixou-se do longo passado de sofrimento do seu povo, cuja maioria sequer tem cédula de identidade, como relatou. Depois foi ao assunto: solicitou publicamente o perdão de uma dívida de US$ 4 bilhões com o BID. Não conseguiu ser atendido, mas a resposta não lhe foi apresentada na hora. Estávamos, naquela entrevista, diante do presidente do país mais pobre da América do Sul e derrotado em todas as guerras em que se meteu. Por conta desse infortúnio, a nação foi punida com a perda de territórios de dimensões equivalentes às do Estado de Minas Gerais. Parte dessas terras foi incorporada ao Brasil e batizada com o nome de Estado do Acre. O país também foi vítima de mais de 150 golpes políticos. Como Evo, repetidamente, se declarara irmão mais novo e admirador do presidente Lula, acreditávamos que ali começava uma grande amizade entre dois presidentes dispostos a se ajudar mutuamente. O gás, segundo se informou durante o encontro do BID, era responsável por mais de 50% das receitas do país, graças ao gasoduto construído pela Petrobras. Mas Evo preferiu outro caminho e se considera suficientemente poderoso para rasgar contratos internacionais. Ele parece acreditar que nós, os opressores brasileiros, ficaremos eternamente reféns da sua chantagem e que o mundo capitalista vai encarar com naturalidade suas desapropriações. Tudo indica que Morales deverá cumprir curta estada na capital boliviana, ironicamente chamada de La Paz, algo jamais vivido naquele país. E o já desenhado mapa de mais um golpe de estado confirmará que a Bolívia é mesmo um país marcado pelo destino. |
Entrevista:O Estado inteligente
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