Comentário da cientista política
"Estimativas do próprio diretório paulista do PT dizem que só amanhã ou mesmo na quarta-feira vamos saber quem será o escolhido do partido para enfrentar José Serra nas eleições para o governo estadual.
Esta escolha é estratégica, e por várias razões. Primeiro, porque São Paulo é o berço do PT e de suas principais lideranças.
São Paulo tem fornecido as últimas direções nacionais do PT, e o estilo do PT paulista tem sido imposto aos demais diretórios do país.
Segundo, porque São Paulo é o principal colégio eleitoral do país. Desde 1989, nas primeiras eleições diretas para presidente depois da ditadura, São Paulo tem tido presença marcante nas eleições presidenciais. Em 89, o estado chegou ao absurdo de ter cinco candidatos: Lula, Mário Covas, Ulysses Guimarães, Guilherme Afif Domingos e Paulo Maluf.
Com um eleitorado tão dividido, não surpreende que Fernando Collor tenha sido vitorioso no estado, nos dois turnos.
Em 94, 98 e 2002 São Paulo elegeu o presidente da República, e nada indica que desta vez será diferente. Em 2006 os principais candidatos são políticos paulistas: o presidente Lula e o ex-governador Geraldo Alckmin. Por isso mesmo, é importantíssima a disputa para o governo do estado.
Terceiro, porque o PT de São Paulo foi o principal atingido pelo escândalo do mensalão. José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, Silvio Pereira, João Paulo Cunha, Professor Luizinho, José Mentor mergulharam no mensalão e, ou estão denunciados pelo procurador-geral da República como membros da organização criminosa que queria perpetuar o PT no poder, ou receberam forte reprovação da opinião pública, como a deputada-dançarina Ângela Guadagnin.
Por isso, é simbólico o baixíssimo comparecimento da militância petista às urnas para escolher o candidato ao governo de São Paulo.
Dos 197 mil filiados no estado, a expectativa é que os votantes não passem de 70 mil. Na capital, só votaram 25 mil petistas, 20% do esperado. Marta Suplicy venceu, com 16.591 votos, contra 8.390 dados a Aloísio Mercadante. Mas mesmo os aliados de Marta consideram que esta vantagem não é suficiente para superar a larga vantagem de Mercadante no interior, onde a contagem dos votos é naturalmente mais lenta.
Mercadante alega que conta com o apoio de 55 dos 57 prefeitos e 380 dos 471 vereadores do PT. Se for assim, pode facilmente virar o jogo e sair proclamado candidato.
Mas nada disso resolve o problema da abstenção da militância petista. Considerada a alma do partido e um dos poderosos trunfos eleitorais do PT, a militância petista, pelo menos em São Paulo, parece que não se animou muito a legitimar as atitudes de um partido que ainda deve muitas explicações: a seus militantes, à opinião pública e ao eleitorado."
Enviada por: Ricardo Noblat