Entrevista:O Estado inteligente

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Lucia Hippolito na CBN:Dentro do roteiro

"O depoimento do ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, na CPI dos Correios, não foi muito diferente do que se imaginava.


Dimas Toledo negou tudo. Disse que não era o autor da tal “lista de Furnas”, que não tinha assinado nada, que não conhecia o homem que declarou estar de posse do original, o doleiro mineiro Nilton Monteiro.


O cabo de guerra entre governo e oposição ficou mais localizado em Nilton Monteiro.


Enquanto o senador tucano Arthur Virgílio procurou desqualificar o doleiro, tomando um tempo enorme para ler uma série de processos que envolvem Nilton Monteiro, a senadora petista Ideli Salvati procurou mostrar que as CPIs têm ouvido todo tipo de gente, até mesmo condenados a prisão como o doleiro Toninho da Barcelona e o juiz Rocha Matos.


A senadora do PT tem muita razão. A tática de desqualificar depoentes como forma de diminuir o impacto de suas possíveis revelações pode atender a uma necessidade política.


Mas isto não significa que aquilo que um depoente tem a dizer seja necessariamente mentira só porque o caráter de quem depõe é para lá de duvidoso.


Ninguém duvidava de que o então deputado Roberto Jefferson fazia parte de um grupo de políticos que sempre se utilizaram da máquina pública brasileira em benefício próprio.


Mas ninguém duvidou das denúncias de Roberto Jefferson sobre o mensalão, que, aliás, se revelaram quase todas inteiramente verdadeiras.


O fato de a tal “lista de Furnas” ser uma falsificação não significa que Dimas Toledo não fosse conhecido como um experiente coletor de recursos para caixa 2 de campanha eleitoral.


Parece ser um caso muito parecido com o de Marcos Valério. O publicitário mineiro começou suas estripulias em Minas, nas eleições de 98, e depois expandiu suas atividades para o PT e os partidos da base aliada desde o início do governo Lula, associando-se ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.


Assim também, gente muito bem informada em Brasília identifica o ex-diretor de Furnas Dimas Toledo como alguém que operava no governo anterior e foi mantido no governo Lula, para fazer a mesma coisa, só que agora, para o PT e os partidos da base aliada, também em associação com Delúbio Soares.


Como parece que Dimas Toledo era muito solicitado tanto por partidos do governo quanto da oposição, é difícil que se extraia dele alguma informação relevante.


Se existir algum interesse sincero em aprofundar as investigações, o caminho tem que ser outro."

Enviada por: Ricardo Noblat

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