Graças ao excelente desempenho das exportações brasileiras, a balança comercial do país tem registrado saldos elevados, gerando um excedente de dólares que em parte tem sido comprado pelo Banco Central no mercado para reforçar as reservas cambiais. Como as reservas cambiais já estão em patamar suficiente para reduzir a percepção de risco da economia brasileira, o Tesouro Nacional e o Banco Central resolveram agora recomprar títulos da dívida externa brasileira que venceriam até 2010, numa operação de até US$ 20 bilhões. É uma decisão acertada, pois além de reduzir a dívida pública externa, pode contribuir para uma diminuição dos juros no Brasil.
Os juros domésticos de médio e longo prazos têm relação com o custo de captação de moeda estrangeira pelo Brasil no mercado financeiro internacional. Com a diminuição da dívida pública externa, esse custo de captação continuará caindo lá fora, como vem demonstrando a trajetória dos índices que medem o risco brasileiro para investidores em moeda estrangeira. A tendência é que as agências avaliadoras de risco melhorem a classificação do Brasil, o que aumentará o interesse do mercado por títulos do país.
No entanto, como os papéis que vencem até 2010 serão recomprados pelo Tesouro, esse interesse do investidor estrangeiro poderá recair sobre títulos da dívida interna, ainda mais se eles de fato vierem a ter outro tratamento tributário. Funcionando a lei da oferta e da procura, será natural que as taxas oferecidas por esses títulos caiam, provocando um ajuste geral na curva dos juros domésticos.
Os juros são altos demais no Brasil, porém somente vão recuar, para patamares civilizados, com soluções de mercado. E a recompra pelo Tesouro de papéis da dívida externa sem dúvida contribui para se chegar a essas soluções, rompendo um círculo vicioso que angustia a todos os que se preocupam com o futuro da economia brasileira.
O simples anúncio dessa decisão já deve se refletir nos próximos leilões de títulos do Tesouro Nacional. E o Banco Central, por sua vez, poderá executar uma política monetária que deixe de pressionar a dívida interna, de modo a cortar também o déficit nas contas públicas.