Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, fevereiro 14, 2006

ELIANE CANTANHÊDE Festa? Festa de quem?

FOLHA
BRASÍLIA - O PT faz festa, mas o PT tem motivo para fazer festa? Se houve um ano ruim foi 2005, quando o partido caiu na vala comum e sua cúpula evaporou, enquanto a militância, atordoada, fazia suas descobertas: valerioduto, cuecas, Land Rover, dinheiro a rodo no exterior.
Mas em 2006 tudo pode ser diferente, com a recuperação de Lula nas pesquisas, o novo salário mínimo, a queda do risco Brasil, a redução do desemprego, o Bolsa-Família. Lula vai enfrentar uma eleição difícil, mas tem efetivas chances de vitória. E lá vai o PT de volta ao poder.
Será? Lula e o PT sempre foram irmãos siameses, um não vivia sem o outro. Mas o poder constrói e destrói. E a grande dúvida, durante as festividades do PT, é se a reeleição de Lula significa a reeleição do partido.
Em 2002, com toda a onda vermelha e o país salpicado de estrelas de Norte a Sul, o partido só conseguiu fazer os governos dos pequenos Acre, Piauí e Mato Grosso do Sul. Imagine agora, depois do vendaval e da troca da bandeira vermelha.
E mais: a Lula interessam alianças, todas as alianças, mesmo com os mensaleiros PP, PTB e PL, e especialmente com o PMDB. Mas ao PT interessa disputar governos, fazer bancadas fortes, dar a volta por cima depois de perder o encanto e líderes como a José Dirceu. Só que o PT não tem alternativa, vai de Lula ou de Lula. Mas Lula tem opções, não só para a campanha, mas também para o eventual segundo mandato.
Amostra: ele autoriza conversas com os mensaleiros, inclusive com Valdemar da Costa Neto, um dos maiores beneficiários do valerioduto, que renunciou à Câmara para não ser cassado, e também com Quércia (PMDB) e com o bispo Crivella (PRB). O que cair na rede é peixe.
Quanto mais Lula incha suas alianças, mais o PT encolhe sua importância no seu esquema de poder. É por isso que o PT faz festa, mas a festa é de Lula. O futuro do partido depende dele, mas o de Lula já dependeu bem mais do PT.

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