| O Estado de S. Paulo |
| 14/2/2006 |
Ao defender em conversa particular com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, mudanças no sistema de decisão da Organização Mundial de Comércio (OMC), o presidente Lula fez uma proposta contrária aos interesses do Brasil. Vamos primeiro ao problema e, depois, à análise. Não há dúvida de que a decisão por consenso, numa organização que tem 150 países membros, como a OMC, é uma complexa e trabalhosa obra de engenharia política. Basta que, na assembléia dos bichos, a formiga diga não para que o processo emperre. Na reunião de Cancún, em 2003, Botsuana, país africano de 1,7 milhão de habitantes, bloqueou as decisões. É esse sistema que o presidente Lula quer mudar . Na cabeça do presidente Lula, o regime ideal seria aquele em que se pudesse obter uma aliança dos países pobres contra o jogo desigual dos países ricos. É uma idéia ingênua porque o Brasil não se acerta nem com os parceiros do Mercosul, imagine se o tricô tivesse de ser feito com o resto do mundo. Quando se trata de eliminar subsídios ao açúcar, a maioria dos países pobres joga claramente contra o Brasil. Além do sistema de decisão por consenso, existem outros dois. Um é o adotado nas assembléias das Nações Unidas, aquele em que as decisões são tomadas por maioria simples de votos. O outro é o do voto ponderado por um critério qualquer. Poderia, em princípio, prevalecer a participação de cada país no capital da instituição, o tamanho da população e, no caso da OMC, a fatia do comércio mundial abocanhada por cada participante. O sistema da decisão por maioria não funciona. Pretender nas decisões sobre comércio mundial que Namíbia, Gabão e Burundi tenham, cada um, o mesmo voto que os Estados Unidos e a própria União Européia (que engloba 25 países) é não ter noção de realidade. A Unctad, destinada a combater a pobreza, funciona nesse sistema e o resultado é o elefantão em que se transformou. Limita-se a produzir estatísticas e alguns debates. O voto ponderado prevalece nas instituições de Bretton Woods, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Lá a decisão é tomada por participação no capital em cada instituição. Se fosse adotado o critério demográfico, o sistema decisório da OMC seria entregue à China e à Índia. E, se o voto correspondesse ao tamanho do comércio exterior de cada país, a importância do Brasil, que pesa 0,8% no comércio mundial, seria reduzida à insignificância. Não é preciso espremer os miolos para concluir que, nessas condições, Estados Unidos, União Européia, Japão e China, que, juntos, detêm 39% do comércio mundial, apitariam o jogo. O atual sistema de consenso é, de fato, o mais complicado. Mas essa fragilidade, na prática, acabou por formar mecanismos de convergência. O acordo só é possível por meio das tais "coalizões de geometria variável", em que cada país se alinha em cada assunto com o grupo com o qual partilha interesses comuns. Isso não foi sempre assim. No tempo do Acordo Geral de Comércio e Tarifas (Gatt, na sigla em inglês), o blocão que ditava tudo era o Quad (contração de "quadrado"), em que Estados Unidos, União Européia, Japão e Canadá decidiam tudo em salas fechadas (apelidadas de green room) e de lá saíam com o acordo pronto para que os outros países bovinamente assinassem. Aos poucos, foram criados novos blocos, entre os quais o Grupo de Cairns (cidade australiana onde se reuniram), que coordenou os interesses das principais potências agrícolas emergentes, inclusive o Brasil. Foi esse sistema de voto por consenso que permitiu que um pigmeu em comércio exterior, como Brasil, se tornasse uma das cinco potências reunidas no chamado Grupo dos Cinco (com Estados Unidos, União Européia, Japão e Índia), que tem costurado os acordos preliminares da Rodada Doha hoje em curso. O consultor para assuntos de Negociação Comercial Marcos Jank não entende como o presidente Lula possa se dispor a trocar o sistema decisório da OMC, em que o Brasil tem obtido notório sucesso, por outro que o transformará em figurante inexpressivo no cast deste filme. |
Entrevista:O Estado inteligente
- Índice atual:www.indicedeartigosetc.blogspot.com.br/
- INDICE ANTERIOR a Setembro 28, 2008
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Celso Ming - Troca ruim
Arquivo do blog
-
▼
2006
(6085)
-
▼
fevereiro
(455)
- Miriam Leitão Usinas amazônicas
- Dois pra lá e dois pra cá
- VEJA :ERA BUSH
- Serra, Covas e a “palavra empenhada” em 1998 Por R...
- ELIANE CANTANHÊDE Forma e conteúdo
- CLÓVIS ROSSI O neocoronel
- Editorial da Folha de S Paulo POBREZA QUE MATA
- Editorial da Folha de S Paulo O FIM DO MUTIRÃO
- Editorial da Folha de S Paulo GOVERNO DOS PAPÉIS
- Luiz Garcia Magra terça-feira
- Arnaldo Jabor No carnaval, só os sujos são santos
- CELSO MING A mãe das mazelas
- Internacionalização da indústria nacional Rubens...
- Xico Graziano Carnaval rural
- Qual é a política econômica do PSDB? LUIZ CARLOS B...
- Lula prepara nova "Carta ao Povo Brasileiro"
- FERNANDO RODRIGUES O atraso do atraso
- VINICIUS TORRES FREIRE Bolsa-Família, o Real de Lula?
- CHARGE DA FOLHA
- Editorial da Folha de S Paulo SUBSÍDIO DOMÉSTICO
- Editorial da Folha de S Paulo CONTAS EXTERNAS
- Bancos superam as empreiteiras em doações ao PT
- Na China, faça como os chineses PEDRO DORIA
- A aposta na metamorfose da China
- Virada de Lula coincide com a explosão no gasto pu...
- Apóstolo Paulo no meio do ziriguidum, balacobaco, ...
- Ainda faz sentido usar os termos direita e esquerd...
- Mariano Grondona El doble triunfo de Néstor Kirchner
- FERREIRA GULLAR Caos urbano
- LUÍS NASSIF Se piorar, melhora
- ELIANE CANTANHÊDE Pacto de não-agressão
- Editorial da Folha de S Paulo ESPÍRITO DE ARLEQUIM
- O poder americano, por Chomsky Maldito
- DANIEL PIZA: Popices
- CELSO MING Outra Renascença?
- Mailson da Nóbrega O mito do Plano Cruzado
- ALBERTO TAMER A China pula no carnaval brasileiro
- ENTREVISTA :Gabriel Palma:"A política de juros no ...
- Mania de grandeza
- Mais federais e docentes, menos alunos
- EDITORIAL DA FOLHA DE S PAULO DECISÃO ARRISCADA
- CLÓVIS ROSSI Não era jabuticaba
- EDITORIAL DA FOLHA DE S PAULO DECISÃO ARRISCADA
- JOÃO UBALDO RIBEIRO Traumas carnavalescos
- Miriam Leitão Avanços da CPI
- MERVAL PEREIRA Agenda antieleitoral
- AUGUSTO NUNES O Tio dos Pobres é a Mãe dos Ricos
- VERGONHOSO
- Chega de bobagem REINALDO AZEVEDO
- ZUENIR VENTURA Ver ou não ver, eis a questão
- Miriam Leitão Nós e os outros
- MERVAL PEREIRA PSOL pede passagem
- CELSO MING Medíocre
- Editorial de O Estado de S Paulo Finanças públicas...
- A realidade do Estado nacional Miguel Reale
- FERNANDO RODRIGUES Partidos de mentira
- CLÓVIS ROSSI O inacreditável acontece
- Editorial da Folha de S Paulo DESEMPENHO SOFRÍVEL
- FERNANDO GABEIRA Até breve com imagem e som digitais
- Brasil 2010 GESNER OLIVEIRA
- Brasil cresce 2,3 % em 2005,metade da média mundial
- Um choque entre religiões
- Bate-boca de vizinhos
- A hierarquia dos desastres
- VEJA Entrevista: Steven Hayes
- André Petry O filho do presidente
- Diogo Mainardi Sou sou um fracasso
- MILLÕR
- Claudio de Moura Castro Qualidade ou inovação?
- Roberto Pompeu de Toledo Histeria, patetice e roc...
- A descoberta da ambição
- CPI confirma esquema petista de desmatamento ilegal
- Como Lula quis ajudar a Telemar de Lulinha
- Tucanos perdem tempo enquanto Lula avança
- TCU cobra Presidência por gasto com bebida no cartão
- Viva a campanha
- POPULISMO NO ÁLCOOL
- Olhando para o futuro LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
- Democracia não consolidada
- Chega de ressentimento - João Mellão Neto
- Ataque ao despudor
- A recompra da dívida externa
- A agricultura pede socorro
- Míriam Leitão - A dívida acabou
- Merval Pereira - Terceira via
- Luiz Garcia - Aos sem-carnaval
- Eliane Cantanhede - O bloco dos vices
- Dora Kramer - Pesquisa faz mal a Lula
- Clóvis Rossi - Viva a campanha
- Celso Ming - Marca maldita
- Ai, quem guetinou - Luis Fernando Veríssimo
- LUÍS NASSIF Partido ao meio
- JANIO DE FREITAS Alô, investigadores
- ELIANE CANTANHÊDE O país dos recordes
- CLÓVIS ROSSI A "grande maldição"
- Celso Ming Ainda não virou
- DORA KRAMER As aparências revelam
- Editorial de O Estado de S Paulo Questão de urgên...
- Editorial de O Estado de S Paulo Confronto sem pauta
- Editorial de O Estado de S Paulo Primeiro os meus
- Editorial de Folha de S Paulo
- Editorial da Folha de S Paulo
- O cartel do governo CARLOS ALBERTO SARDENBERG
- Lula e suas teses Roberto Macedo
- Miriam Leitão Prazo dos tucanos
- MERVAL PEREIRA Decisão azedada
- Lucia Hippolito :A esperteza do político
- AUGUSTO NUNES Os inimigos íntimos da lei
- Lucia Hippolito :A saia justa do PSDB
- Bono Vox em Teerã Por Reinaldo Azevedo
- LUÍS NASSIF As celulares e a TV digital
- FERNANDO RODRIGUES PSDB encalacrado
- CLÓVIS ROSSI De machos e idéias
- Editorial da Folha de S Paulo A TÁTICA DO DESPISTE
- Editorial de O Estado de S Paulo Despudor sem con...
- CELSO MING Ex-cavalheiros
- Lula pula da maca e corre para o abraço José Nêum...
- DORA KRAMER Máquina de calcular
- Miriam Leitão Briga do preço
- ZUENIR VENTURA Entre o prazer e o horror
- MERVAL PEREIRA São Paulo no centro
- Lucia Hippolito :O chuchu que é um trator
- Além das fronteiras RUBENS BARBOSA
- Miriam Leitão Segurar o álcool
- Luiz Garcia Haiti, logo ali
- Opus Dei ALI KAMEL
- MERVAL PEREIRA Pólo de poder
- LUÍS NASSIF A curva de juros e o câmbio
-
▼
fevereiro
(455)
- Blog do Lampreia
- Caio Blinder
- Adriano Pires
- Democracia Politica e novo reformismo
- Blog do VILLA
- Augusto Nunes
- Reinaldo Azevedo
- Conteudo Livre
- Indice anterior a 4 dezembro de 2005
- Google News
- INDICE ATUALIZADO
- INDICE ATE4 DEZEMBRO 2005
- Blog Noblat
- e-agora
- CLIPPING DE NOTICIAS
- truthout
- BLOG JOSIAS DE SOUZA