Oposição investiga patrocínio à empresa de Lulinha
Da revista ÉPOCA:
Programas de TV da Gamecorp, empresa do filho do presidente, vão receber R$ 5 milhões da Telemar este ano
Por Gustavo Krieger e Thomas Traumann
"O período de tranqüilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acaba de reagir nas pesquisas eleitorais, pode acabar a qualquer momento. Parlamentares da oposição reuniam nesta quinta-feira (16/2) informações sobre os negócios de Fábio Luiz da Silva, filho mais velho do presidente, com o objetivo de apresentar um dossiê com acusações a Lulinha, como é conhecido.
No auge da crise do mensalão, veio a público que ele e três amigos tinham vendido para a operadora de telefones Telemar parte das ações de sua empresa, a Gamecorp, que produz programas de TV sobre videogames. O valor da operação - R$ 5 milhões por uma empresa que mal começara suas atividades- , deu margem a que a oposição denunciasse um suposto favorecimento ao filho do presidente.
Agora, as acusações da oposição se referem a uma espécie de uma espécie de "mensalinho" pago pela empresa ao filho do presidente, em troca de favores no governo.
O alvo agora é o faturamento da Gamecorp. Neste ano, a Telemar planeja gastar R$ 4.989 milhões em patrocínios dos dois programas de TV da Gamecorp, o G4 (na TV Bandeirantes) e o Game TV (no canal Mix TV), ambos sobre games e voltados para um público jovem. O valor inclui o patrocínio exclusivo, a veiculação e a produção do programa. A oposição tenta mostrar que essa verba publicitária é exagerada.
A finalidade do patrocínio seria favorecer financeiramente Fábio Luiz. Avisada do movimento da oposição, a direção da Telemar ontem já tinha uma resposta preparada. "Tratar isso como se fosse uma denúncia tem cheiro eleitoral", afirma o presidente da Telemar, Ronaldo Iabrudi.
Sobre os valores gastos com a propaganda, Iabrudi é direto: "Para os acionistas da Telemar, vale a pena. É um programa voltado para jovens, o público preferencial da Oi". Os programas da Gamecorp concorrem com o Disque MTV, da MTV, que recebeu R$ 150 mil em anúncios da Telemar no ano passado. Neste ano serão, R$ 1,790 milhão.
Desde o ano passado a oposição tem batido na tecla de que a Telemar não está interessada nos programas de games, mas em ganhar a simpatia do presidente Lula. Concessionária de serviços públicos, a operadora não recebeu, pelo que consta até o momento, nenhuma vantagem extraordinária do governo, que não tenha sido oferecido às outras empresas de telefonia.
Procurados, Fábio Luiz e seus sócios não quiseram se pronunciar. Leia reportagem completa sobre o assunto na próxima edição de Época."