"Que o presidente Lula sonha com o PMDB na aliança para disputar a reeleição, ninguém duvida.
Que o presidente Lula trabalhou abertamente pela queda da verticalização para que o PMDB se sentisse mais à vontade no jogo político-eleitoral, ninguém duvida.
Que o partido estratégico para as eleições de 2006 é o PMDB, também ninguém duvida. Seja com candidatura própria no primeiro turno, para fazer aliança para o segundo turno, seja costurando uma aliança já para o primeiro turno, desta vez o PMDB conseguiu.
É o parceiro mais cortejado, mais cobiçado das eleições. Quem firmar uma aliança com o partido, ou com pelo menos parte dele, já tem muito caminho andado.
Mas o cerco dos estrategistas da campanha de Lula ao PMDB estava ficando constrangedor. Estava botando o partido numa posição desagradável. Afinal, uma convenção nacional decidiu que o PMDB vai ter candidatura própria. E só outra convenção nacional pode mudar esta decisão.
Mas o assédio da campanha de Lula ao PMDB estava passando dos limites da boa educação. Ao negociar com os senadores Renan Calheiros e José Sarney, Lula e seus assessores estavam passando um sinal de que não lhes interessa negociar com a cúpula do partido, mas apenas com uma facção governista, que estava sendo tratada como adesista e, por que não dizer, oportunista mesmo.
Como se, enquanto o PMDB trabalha para ter prévias e candidato próprio, Renan e Sarney já estivessem negociando a adesão a Lula. Não consta que os dois tenham procuração do partido para negociar o que quer que seja.
Não fica bem na foto o senador José Sarney, não fica bem na foto o senador Renan Calheiros. E, sobretudo, fica péssimo o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer, que é a pessoa apropriada para conduzir qualquer negociação envolvendo o PMDB.
Todos nós sabemos que o PMDB é cheinho de caciques regionais que mandam à beça no partido. Mas o protocolo exige que conversações visando a eleições presidenciais sejam desenvolvidas entre os presidentes dos dois partidos.
Imaginem se alguém quisesse atrair o PT e começasse a conversar com o senador Tião Vianna e o deputado Maurício Rands, ignorando completamente o deputado Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT. Seria um escândalo!
Por isso mesmo, foi muito sensata a orientação do presidente Lula para que as conversações com o PMDB sejam, daqui para frente, um pouco mais discretas.
Um pouco mais de elegância e um pouco menos de sofreguidão não vão fazer mal nenhum à campanha de Lula."
Enviada por: Ricardo Noblat