Entrevista:O Estado inteligente

domingo, fevereiro 12, 2006

ELIANE CANTANHÊDE Rumo a 2010

FOLHA
BRASÍLIA - Antonio Palocci Filho pensa grande e pensa longe, bem longe. Ele ainda nem bem explicou direitinho todas aquelas histórias da Prefeitura de Ribeirão Preto, mas se prepara para ser o José Dirceu do eventual segundo mandato de Lula: o homem forte na política e potencial candidato a presidente da República em 2010. Não é fraco, não!
Na sua avaliação, ele "já deu o que tinha de dar" na economia, área em que caiu quase por acidente (ou por falta de quadros...) e está prontinho da Silva para voltar à política. Somando o êxito na economia e um bom trabalho na política, eis aí o homem para subir a rampa em 2011.
Para Lula, a guinada de Palocci da economia para a política, ainda não confirmada, viria bem a calhar, diante do vácuo político deixado pela queda e cassação de Dirceu e pelo ostracismo de Gushiken. Hoje, a política está com Lula, com Lula e com Lula. Além de estar também com Palocci, que conversa bem com banqueiros, empresários, peemedebistas, pefelistas, tucanos e, nas horas vagas, até com os próprios petistas.
A saída de Palocci da Fazenda, portanto, atende aos seus interesses de longo prazo e aos interesses de curtíssimo prazo de Lula. E vem sendo avisada aos poucos, cuidadosamente, para acostumar o tal do mercado e se passar de uma forma sem dor, até suave, no meio da multidão: junto com os muitos ministros que vão se desincompatibilizar para concorrer às eleições, como o próprio coordenador político, Jaques Wagner. A hora é boa.
Palocci é daqueles sujeitos sonsos, com cara de bonzinho e de humilde, mas ambicioso como ele só. Agora, falta combinar sua candidatura de 2010 com os adversários: os tucanos, que vão fazer tudo para impedir o segundo mandato de Lula; Marta Suplicy e Aloizio Mercadante, que, se ganharem o governo de São Paulo, viram automaticamente presidenciáveis; e aquela turminha esquisita lá de Ribeirão Preto. A gente nem precisa explicar mais por quê.

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