Entrevista:O Estado inteligente

sábado, agosto 13, 2005

Zuenir Ventura Os indesejáveis

O GLOBO

Ainda em Minas, onde estou para uma série de palestras em cidades como Juiz de Fora, Tiradentes, Ouro Preto, Sete Lagoas, Itaúna, Divinópolis e Arcos, pude tomar conhecimento das reações positivas (de mineiros) e negativas (de paulistas) à coluna de quarta-feira passada — "A Minas de Valério, não" — falando da indignação contra as insinuações que procuram associar o estado à corrupção instalada no país.


"Nada mais injusto", dizia em editorial o "Estado de Minas". "Marcos Valério não representa Minas." Em artigo de "desagravo", o presidente da Associação Comercial, Eduardo Beris, lembrava o famoso slogan de um ex-governador de São Paulo: "rouba, mas faz". Para quê? Isso esquentou a velha rivalidade café-com-leite.

"Minas rouba e não faz", revidou a leitora paulista Cristina Barboza. "É por isso que milhares de mineiros arriscam a vida para entrar ilegalmente nos EUA. Os mineiros têm que admitir que os políticos deles roubam e não fazem nada, só política." Outra leitora, Renata Torres, refere-se ao "mais puro jeitinho mineiro de falar e contornar a verdade", de Marcos Valério. E acrescenta que 55% dos residentes em São Paulo são migrantes, a maioria dos quais mineiros. "Logo, é infamante e inaceitável associar os paulistas ao rouba, mas faz."

De lugares como Alagoas, Brasília e Goiás, que são ou foram discriminados por causa de representantes pouco dignos, também vieram manifestações. O alagoano Mário Gomes de Barros recorda o que sofreu nos tempos de Collor e PC Farias: "até nos dias de hoje sou motivo de chacota por ser conterrâneo desses seres desprezíveis que tanto sujaram a imagem do meu estado".

De Filipe Guedes, de Brasília: "Nossos amigos mineiros estão provando injustamente um pouco do fel com que nós, brasilienses, aqui nascidos ou por adoção — sou carioca e aqui resido há 30 anos — somos brindados", diz. Já a mineira-brasiliense Ângela Queiroz pede um artigo também sobre a capital federal, cujo povo exalta como "afável, sério, trabalhador, gentil com os visitantes e principalmente civilizado no trânsito". Ela acha que a cidade "não merece ser palco da ópera-bufa, que de tantas reprises já está perdendo assistência".

De Mara Moreira: "Diz aí também que nós goianos não parimos só Delúbios. Conhecedor de Goiás Velho, de Cora, de arroz com pequi, da magia do Fica (Festival Internacional de Cinema Ambiental), nos defenda!"

A sugestão que tenho para esses casos é simples. Assim como concedem títulos de cidadania para homenagear filhos ilustres, as cidades e os estados deveriam criar a anti-homenagem para os indesejáveis, em forma de repulsa e execração pública.

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