Jamais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve tão próximo da crise política. Assim que o aliado Roberto Jefferson, presidente do PTB, veio a público denunciar a existência de um esquema de distribuição de dinheiro sujo, por meio de uma lavanderia montada pelo publicitário mineiro Marcos Valério, sob encomenda do tesoureiro petista Delúbio Soares e supervisão do secretário-geral do partido Sílvio Pereira, o presidente foi logo poupado.
Jefferson envolveu no escândalo diretamente o chefe da Casa Civil, José Dirceu, tachando-o de o grande maestro daquela operação de compra de votos e apoios no plenário do Congresso, na montagem e administração da base parlamentar do governo. Chegou a dizer que havia alertado o presidente para a existência do mensalão, diante do que, segundo Jefferson, Lula teria chorado.
Também o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, declarou ter chamado a atenção do presidente sobre a circulação de dinheiro espúrio que servia de isca para deputados de outros partidos. Uma deputada tucana do estado de Perillo, licenciada, Raquel Teixeira, apressou-se a testemunhar que o líder do PL, o também goiano Sandro Mabel, ofereceu-lhe dinheiro caso aderisse à coligação governamental.
A instalação da CPI dos Correios, os depoimentos dados e provas surgidas da farta documentação que fluiu para a comissão não deixaram de pé qualquer dúvida sobre a existência do esquema. Dirceu caiu do governo, logo depois do alerta feito ao vivo por Jefferson, na Comissão de Ética da Câmara, para que abandonasse o Planalto, pois caso contrário atingiria "um homem de bem" — o presidente.
Mas agora chegou o momento de Lula se explicar perante a nação. Quando o principal responsável pela condução do marketing da sua campanha eleitoral, o publicitário Duda Mendonça, confirma que recebeu milhões do caixa dois do PT/Valério, inclusive no exterior, é hora de o presidente prestar esclarecimentos.
De tudo. Da dívida com o PT, resgatada de forma obscura, ao sistema de corrupção extenso montado em salas tão próximas do seu gabinete. A hora é esta. Como disse o senador Pedro Simon, diante de Duda, na CPI dos Correios: "É agora ou nunca." Até para, se for o caso, pedir desculpas ao povo brasileiro.
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