O gesto do publicitário, de assumir co-autoria nos crimes de evasão de divisas e sonegação fiscal e expor o fato de que a partir da posse de Luiz Inácio da Silva na Presidência da República o PT começou a fazer pagamentos por meios ilegais, seguiu a mesma lógica do petebista: ao sentir que estava sendo posto no caminho do cadafalso, deu um basta e resolveu salvar seus negócios e sua reputação.
O ex-presidente do PTB rompeu relações quando identificou manobra destinada, segundo ele, a atribuir a seu partido certas contas de corrupção. Recentemente, disse que atirou no que viu e acertou no que não viu.
Algo semelhante parece ter ocorrido com Duda Mendonça ontem. Diferentemente de Jefferson, seu alvo não era José Dirceu; era Marcos Valério, autor - segundo ele - de manobra destinada a arrastá-lo à lama e "numa escalada perigosa" acusá-lo de remessa ilegal de dinheiro para o exterior quando, de acordo com Duda, foi Valério quem impôs o depósito em paraíso fiscal como forma de pagamento por contratos firmados em 2002.
Mal acabara de dar essas informações à CPI, ainda saboreava os elogios (bem merecidos, até) da banca examinadora, foi confrontado pela reação dos parlamentares com o tiro naquilo que não vira: o coração do governo.
Duda desmontou a versão do crime eleitoral sob a qual estavam se escorando PT, Delúbio, Valério, Dirceu, parlamentares e beneficiários de saques valerianos em geral.
Mostrou que Marcos Valério funcionava como um tesoureiro laranja do PT, cujas finanças a partir de 2003 passaram a dispensar formalidades legais. Isso o partido ocupante da Presidência da República.
Duda tentou - e tentaria mais vezes ao longo do depoimento - consertar de certo modo as coisas, mas não conseguiu, pois suas informações, cotejadas com os resultados já produzidos pelas investigações, produziram, desta vez sim, pólvora pura.
Tão explosiva que o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, associou-se de imediato à operação cada um por si, entrou na sala da CPI dos Correios, disse que não tinha nada com isso, registrou que "o candidato" deve se responsabilizar pelas contas de campanha e foi-se embora.
Lembrou bem Elio Gaspari em texto recente: os ratos deixam o navio porque são ratos; não são burros.
Valores
O ilícito fiscal, assim como o eleitoral, vem sendo tratado como infração distante do campo da moral e da ética. Como se a preliminar das negociações paralelas não fosse a indiferença ao preceito ético.
Relações exteriores
Os fax apresentados ontem comprovando a remessa de pagamentos de serviços contratados pelo PT por intermédio de bancos estrangeiros remetem ao depoimento de Maria Cristina Mendes Caldeira, atestando o envio de uma doação de Taiwan para a campanha presidencial de Lula.
Maldição
Do ex-presidente do PT José Genoino ao ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha, passando pela alta burocracia do partido, todos os que em algum momento juntaram seus projetos de vida aos planos políticos de José Dirceu caíram em desgraça.
Por isso mesmo, o deputado Paulo Pimenta poderia ter evitado o vexame da renúncia à vice-presidência da CPI da compra de votos se pensasse duas vezes antes de atender à orientação de Dirceu para dar divulgação a listas apócrifas no intuito de tumultuar as investigações.
É como diz o deputado petista Paulo Delgado. Se alguém não tomar uma providência "José Dirceu acaba cassando a Câmara inteira".
Na província
O deputado que vai dar o parecer no Conselho de Ética da Câmara sobre a cassação do mandato do deputado José Dirceu, Júlio Delgado, tem uma antiga relação com o PT de Dirceu e o PTB de Roberto Jefferson que perdura até hoje.
Em 2004, subiu no palanque do candidato, depois eleito, a prefeito de Juiz de Fora (MG), Alberto Bejani, junto com José Genoino e Roberto Jefferson.
Rupturas recentes à parte, continuam todos aliados na província, onde a irmã de Júlio Delgado ganhou a Secretaria de Cultura e o irmão de Jefferson, a pasta do Planejamento.
O caminho
O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia, informa que o partido aceitou pedir informações sobre os investimentos em títulos públicos, e não a quebra de sigilo fiscal e bancário dos fundos de pensão, "porque é na compra de títulos que está a corrupção".
Segundo ele, não houve acordo para proteger os fundos nas investigaçõe
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