Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, agosto 12, 2005

Lula-discurso: presidente defende que PT e governo peçam desculpas ao país, mas não faz a parte dele

primeira leitura

13h25 – O presidente referiu-se à crise assim: "Estou consciente da gravidade política". Mas eximiu-se de qualquer responsabilidade sobre o financiamento da campanha de 2002 com caixa dois do esquema Valério-Delúbio. Largou a culpa para cima do PT: "Eu me sinto traído, traído por práticas inaceitáveis", afirmou, para depois completar: "Estou indignado, como qualquer cidadão honesto". Disse que se pudesse, "se estivesse ao meu alcance, já teria punido [os culpados]." Para que a sociedade não lembre as manobras do governo para abortar as CPIs, no Congresso, o presidente fez questão de dizer que "grande parte do que foi descoberto [nas investigações] foi pelas investigações da Policia Federal". Disse que afastou suspeitos, "mesmo sem prejulgá-los", mas que isso não basta: "O Brasil precisa fazer a reforma política e punir corruptos e corruptores com medidas drásticas." O discurso foi quase todo lido, menos na parte final, quando disse que o governo e o partido deviam desculpas ao povo brasileiro. O presidente disse que o governo precisava pedir desculpas, mas não pediu. "Eu me sinto traído por práticas das quais nunca tive conhecimento, que aparecem a cada dia e chocam o país. O PT foi criado para fortalecer a ética. Pediu para que as pessoas não percam as esperanças, numa referência a um dos motes de sua campanha, em 2002 – "A esperança venceu o medo".
"Lula mostrou ter medo de retaliações de Dirceu, Delúbio
e Silvio Pereira ao não citar nomes", avalia Agripino Maia


13h21 - O líder da bancada do PFL, senador Agripino Maia (RN), fez a seguinte avaliação do discurso do presidente Lula, na abertura da reunião ministerial, na Granja do Torto, na manhã desta sexta-feira: "O discurso é insincero. Se quisesse passar credibilidade, o presidente teria dado nomes. Acho que, se [Lula] não tivesse culpa no cartório, ele nominaria e condenaria a ação [dos culpados] e pediria desculpas. Quando não nomina e diz que confia nas instituições para punir, o presidente dá a entender que tem vinculações e teme retaliações de José Dirceu, Delúbio Soares e Silvio Pereira." – Tina Evaristo
Cristovam Buarque "O mínimo era renunciar à reeleição"

13h12 - O discurso que o presidente Lula fez, na abertura da reunião ministerial, foi mal recebido pelo ex-ministro da Educação, o senador Cristovam Buarque (PT-DF). "O discurso não foi ao centro da questão. O presidente precisava olhar nos olhos da nação e dizer categoricamente se sabia ou não sabia [da corrupção do esquema Valério-Delúbio] e que providências vai tomar", disse Cristovam. Para o ex-ministro, "a renúncia à reeleição era o mínimo a dizer para começar o pronunciamento.". A avaliação final do senador sobre a fala do presidente Lula foi esta: "Mais um erro dentro da cadeia de erros cometidos. Além do mais, para um líder, o fato de não saber dos erros do partido é tão grave quanto autorizar esses erros." - Tina Evaristo

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