Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, agosto 09, 2005

Lucia Hippolito : O que sairá das urnas em 2006

BLOG NOBLAT

"A reunião do Diretório Nacional do PT no último sábado foi uma tremenda decepção para a esquerda do partido e para a militância, que continua catatônica, desde que o escândalo do mensalão arrasta a cada dia mais petistas para a fogueira.


As propostas de punir exemplarmente os dirigentes e deputados envolvidos no escândalo foram derrotadas. A proposta de negar legenda para 2006 aos deputados que renunciarem para escapar do processo foi derrotada. A esperada expulsão do ex-tesoureiro Delúbio Soares foi derrotada. Delúbio licenciou-se "a pedido".

 

É verdade que, hoje, Delúbio Soares deve ser proprietário de segredos cabeludíssimos envolvendo muito mais gente do PT do que apareceu até agora em todas as listas.

 

É verdade que o deputado José Dirceu também deve ser proprietário de segredos cabeludíssimos sobre petistas do alto e do baixo clero. E todo este arsenal pode estar sendo mobilizado para evitar qualquer decisão que possa ameaçar o controle que o grupo de Lula e José Dirceu exerce sobre o aparelho do partido.
 

Do ponto de vista da vida interna do PT, pode ser que a tática dê certo. Afinal, há pelo menos dez anos o grupo em torno de Lula e José Dirceu tem o total controle do aparelho petista.

 

Resta saber o que o eleitorado vai pensar disso tudo. O eleitor do PT é um eleitor de opinião, residente nas capitais, cidades grandes e médias do interior. É um eleitor exigente, preocupado com a ética na política e com o comportamento de seus representantes. Não é o eleitor tradicionalmente seduzido pelo clientelismo ou pelo assistencialismo.
 

O que será que este eleitor vai pensar das últimas decisões do Diretório Nacional do PT?

 

Finalmente, é o caso de se perguntar o que pensará da transfiguração do PT a brava gente brasileira, gente de bem, trabalhadora e bem intencionada, que aprendeu a respeitar o PT e seus políticos. Aquela parcela do eleitorado que foi fundamental para eleger Lula em 2002. 
 

Essa gente pode não fazer falta ao presidente Lula, caso ele tente a reeleição. Afinal, o Bolsa Família e outros programas assistencialistas ajudam, e muito, a eleger um presidente.

 

Mas para os candidatos a deputado e senador pelo PT em todo o Brasil, sem esses votos a eleição será muito dura. E das urnas de 2006 vai sair um PT bem menor."

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