Entrevista:O Estado inteligente

sábado, fevereiro 16, 2008

INDIA:O telefone do povo

O telefone do povo

Depois do carro mais barato do mundo, 
a Índia lança o celular de 20 dólares

Divulgação
O mercado de celulares na Índia é o que mais cresce no mundo. Acima, o telefone de 20 dólares: sem tela, sem design...


O mundo foi apresentado em janeiro passado ao automóvel mais barato do mercado. O Nano, da empresa indiana Tata Motors, terá quatro portas, motor com a metade da potência de um veículo popular brasileiro e custará o equivalente a 4500 reais. Na semana passada, foi a vez do celular mais barato do planeta. Criado pelo grupo indiano Spice, o aparelho, que chega às lojas asiáticas em março, custará 20 dólares – isso sem o subsídio das operadoras. Batizado de "telefone do povo", ele lembra um walkie-talkie dos anos 70, acrescido de teclas. Não surpreende que produtos como o Nano e o "celular do povão" sejam lançados na Índia num curto intervalo. Com os mercados ricos saturados e os Estados Unidos à beira de uma recessão, só há um caminho para os grandes conglomerados industriais atingirem o ritmo de crescimento exigido por seus acionistas: focar nas populações de baixa renda em países como a Índia, a China, a Rússia e, em menor grau, o Brasil. A conquista desses mercados requer a formulação de produtos extremamente baratos e despojados de luxo. Eis a lógica por trás do Nano e do telefone de 20 dólares.

A descrição de tal estratégia agitou o mundo corporativo em 2002, ao ser abordada em The Fortune at the Bottom of the Pyramid (A Fortuna na Base da Pirâmide), livro do indiano C.K. Prahalad, professor da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. O problema é que a indústria não pode desprezar as exigências dos consumidores mais ricos. Nesse campo, os fabricantes de celulares aproveitam a rápida difusão em todo o mundo da tecnologia de terceira geração dos celulares (3G). Esses sistemas permitem que os telefones móveis se conectem à internet por banda larga. Na prática, as redes 3G tornam viável o uso dos telefones não só para navegar na web, mas para criar receitas adicionais, como a proveniente de anúncios. Na semana passada, o Google apresentou alguns dos primeiros recursos do seu sistema de navegação para celulares, batizado de Android. A tecnologia permite a realização de buscas pelo site, a consulta de mapas e o uso da ferramenta street view, disponível nos Estados Unidos, em que o usuário visualiza a rua de uma cidade como se estivesse caminhando pela calçada. Existem no mundo pouco mais de 3,3 bilhões de celulares – um aparelho para cada dois habitantes. Em três anos, devem ser 4 bilhões. Vale tudo para conquistar todos os segmentos dessa freguesia.

Lluis Gene/AFP
Um alô do Google: estão prontas as primeiras aplicações do sistema de navegação para celulares

 

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