sábado, fevereiro 23, 2008

Celso Ming O frango sob ameaça

O apagão sanitário que prostrou o mercado externo do boi brasileiro ronda outra jóia das exportações nacionais: o frango.

Ao contrário do que aconteceu com o boi, desta vez o alerta está sendo feito pelos próprios produtores e exportadores: "O mercado de frango do País poderia ser mais robusto se nossas condições de sanidade estivessem na pauta do governo. Pois não estão" - adverte o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), Christian Lohbauer.

Em 2007, a avicultura brasileira bateu todos os recordes de comercialização externa, tanto em toneladas como em faturamento. Foram quase US$ 5 bilhões, crescimento de 54,85% sobre o ano anterior, que superou as receitas com exportação de carne bovina (US$ 4,4 bilhões). (Veja A ficha do frango.)

Mas o setor está ameaçado pela falta de investimentos em sanidade e infra-estrutura. "Nos últimos cinco anos, nossas exportações dobraram, mas as condições de logística, que cabem ao governo, ficaram paradas."

Entre as deficiências apontadas pelo presidente da Abef estão a falta de fiscais sanitários para inspecionar as unidades produtoras; número insuficiente de laboratórios certificados pelas normas internacionais; e baixo nível de treinamento de pessoal.

Diferentemente do que ocorre com o boi, a cadeia de produção do frango está integrada, por meio de parcerias entre criadores e produtores finais. "O principal problema é a falta de regionalização do setor", aponta Alexandre Lahoz Mendonça de Barros, da MB Associados. Ele explica que a regionalização delimitaria áreas para produção e abate, o que daria maior segurança de controle caso surgissem focos de doença.

O Brasil está fora da rota de migração de aves que transmitem a gripe aviária, mas está sujeito a outras doenças do frango, como a de Newcastle (que ataca o sistema nervoso e respiratório das aves). Por isso é indispensável um sistema eficiente de rastreabilidade. "Assim como os europeus passaram a exigir novos procedimentos na pecuária para continuar a importar a carne brasileira, os compradores externos de frango têm feito exigências que precisam ser atendidas com urgência, sob pena de perder encomendas", adverte o presidente da Abef.

Barros observa que o problema que derrubou o mercado externo do boi brasileiro é, por si só, elemento que em algum grau afeta a confiança externa na avicultura nacional. "As condições de sanidade do nosso frango são superiores às do boi, mas bastaria uma briga comercial para que essa brecha fosse usada para prejudicar o negócio."

Os grandes mercados que restringem a entrada do frango brasileiro alegando deficiência sanitária são Estados Unidos, China (continental), México, Indonésia e Malásia.

A avicultura brasileira especializou-se em nichos de mercado. Assim, conquistou importadores exigentes, como os países do Oriente Médio, que detêm cerca de 30% das exportações, e o Japão, onde 90% do mercado é abastecido pelo frango brasileiro.

Para 2008, o setor espera crescimento menor nas exportações, de apenas 8%, em conseqüência do impacto da alta dos alimentos e das rações.

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