quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Jânio de Freitas - Caminhos do roubo



Folha de S. Paulo
28/2/2008

Tudo sugere haver funcionários qualificados da Petrobras merecedores de inclusão na primeira linha de suspeitos

ALÉM DE desmentir na Argentina a única e breve informação que dera no Brasil, esta para negar a presença de dados importantes nos equipamentos roubados da Petrobras, José Sérgio Gabrielli deixou clara a falta de segurança na empresa que preside. Mais ainda, porém, a falta ou insuficiência de medidas posteriores para impedir ocorrências como o terceiro roubo, conhecido na sexta-feira passada.
Sobre a precariedade da proteção aos estudos sigilosos da Petrobras bastaria, ao menos por ora, a constatação de que a Poliporto, onde os contêineres em trânsito e seu conteúdo ficam depositados por dias, não tem dispositivos de segurança que registrem ataques à sua inviolabilidade. Diante disso, não pode surpreender que estudos sigilosos sejam deixados em equipamentos informáticos mandados para lá e para cá, desacompanhados.
Ainda que a imprevidência, se for apenas imprevidência, atraia as atenções para a descoberta do local e circunstâncias dos roubos, algo não menos importante, ou mais, não deve ficar em segundo plano. E, muito menos, ser protegido por espírito corporativo, preocupação com imagem empresarial, ou lá o que seja na Petrobras. Tudo sugere que há funcionários qualificados da estatal merecedores de inclusão na primeira linha de suspeitos.
Quem organizou o roubo, tão exatamente dirigido contra determinado alvo, precisaria estar informado de que: 1- os computadores e componentes avulsos, que seriam entregues ao transporte, continham dados valiosos; 2- a ocasião em que sairiam ou saíram da sonda; 3- seu destino e, provavelmente, as etapas de transbordo e depósito.
Quem praticou o roubo estava informado: 1- do local onde encontraria o contêiner a arrombar; 2- da sua identificação.
No todo ou ao menos na primeira parte, essas etapas do roubo dependeriam de informações de dentro da Petrobras. Só o roubo comum, com escolha ao acaso do contêiner a arrombar, dispensaria informações internas. Mas o acaso precisaria repetir-se por três vezes. Acaso assim, até agora só se conhece o de deputados que invocam a loteria esportiva para explicar suas fortunas.

Eleitoral
A oposição pretende obter do Tribunal Superior Eleitoral o reconhecimento de que o programa Territórios da Cidadania, lançado por Lula com R$ 11 bilhões contra a pobreza em 958 municípios, é eleitoreiro e fere a proibição legal a iniciativas assim do Executivo em ano de eleições.
Nem precisaria propor a confrontação do programa com a lei. O sistema levado a muitos municípios, para transmitir em telões e alto-falantes o lançamento do programa por Lula, só pôde ter como motivo e finalidade a propaganda -em circunstâncias, dado o projeto, vedadas pela legislação eleitoral.

Valente
Lula, inflamado: "Não vamos fazer intervenção com a polícia, vamos visitar o Complexo do Alemão e a Rocinha". Dia 7. Cercado de guarda-costas e de polícia.

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