sábado, fevereiro 23, 2008

Claudia Leitte: investimento pesado na carreira-solo

A aposta de Claudia

A ex-vocalista do Babado Novo investiu 3 milhões
de reais no lançamento da carreira-solo.
A ela, só interessa o topo do showbiz brasileiro


Sérgio Martins

Fotos Roberto Setton
Claudia Leitte: "Posso até ser sexy, mas não sou vulgar. Uso shortinho sem ofender a Deus"


Na semana passada, Claudia Leitte fez uma aposta de 3 milhões de reais. O valor pode até ser mais alto – a contabilidade ainda não foi fechada. "Vendi imóveis e quebrei o porquinho para realizar meu objetivo", diz a cantora. A aposta foi nela mesma. No domingo, dia 17, a ex-vocalista do grupo Babado Novo lançou-se em carreira-solo numa apresentação gratuita na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para um público de 700 000 pessoas. O show será lançado em CD e DVD no início de maio, juntamente com um documentário biográfico – são 110 horas de gravação, entre lembranças da infância, depoimentos de amigos e cenas de palco. Na gravação do show carioca foram usadas 22 câmeras, duas a menos do que num concerto dos Rolling Stones realizado em 2006 no mesmo local. Houve também gastos com segurança, transporte e toda a parafernália que um evento desse porte requer. É preciso vender mais de 1 milhão de cópias do disco e do DVD para recuperar o investimento – feito raro no mercado fonográfico atual. Outra alternativa, mais provável, é usar o disco como cartão de visitas para agendar shows por um bom cachê. Mas não é a hipótese de prejuízo que mais preocupa. O espectro que realmente assusta é o de ver uma carreira em ascensão perder fôlego e entrar em declínio. Claudia acredita que tem chances de ingressar no primeiro escalão do showbiz brasileiro – um espaço rarefeito onde impera Ivete Sangalo, uma cantora com raízes e estilo muito semelhantes aos seus.

O Babado Novo foi um projeto criado pelos empresários Manoel Castro e Cal Adan – um dos mentores do É o Tchan!. Eles contrataram Claudia Leitte depois de assistir a uma apresentação dela ao lado de um grupo de pagode chamado Nata do Samba. A princípio, tudo correu como de praxe no mundo do axé: os donos da banda ficavam com a maior parte dos lucros e pagavam um cachê à loira. Mas Claudia se destacou tanto que passou a receber um porcentual de 30% sobre os lucros do Babado Novo. A fórmula do grupo, porém, se esgotou. Apesar da presença constante nas micaretas, os carnavais fora de época que pululam no país, Ver-Te Mar, seu último lançamento, não passou das 50.000 cópias. Surgiu então a idéia de lançar Claudia em carreira-solo. Castro e Cal Adan continuam na jogada. Os músicos do Babado Novo ainda dão apoio a Claudia. Enfim, boa parte dos ingredientes permanece igual. Mas a música ganhou um acento mais pop – o primeiro produto da nova fase é Exttravasa, canção dançante que lembra os funks de Ivete Sangalo.

Claudia, a flexível: vozeirão grave e pernas extraordinárias – só falta ter a medida exata do seu carisma

Claudia diz que já respondeu "um milhão e quatrocentas mil vezes" sobre a semelhança entre o seu trabalho e o de Ivete. "Ela parece ter estudado cada movimento da rival", diz um empresário. Ao vivo, Claudia é uma entertainer tão eficiente quanto Ivete. Tem presença de espírito (no início da carreira, ela estava cantando num trio elétrico quando um folião morreu no meio do show – Claudia parou com o axé e passou a cantar hinos religiosos) e tem preparo físico para agüentar a maratona do Carnaval baiano. "Se ela não fosse talentosa, jamais conseguiria atrair 700.000 pessoas para uma apresentação na praia", diz Jesus Sangalo, empresário e irmão de Ivete. Mas ela nunca emplacou um sucesso à altura de Festa e Sorte Grande, músicas que, mesmo que involuntariamente, estão encravadas na memória de dez entre dez brasileiros. Também não é claro ainda o tamanho de seu carisma. Ivete é hoje cortejada não só pelo público, mas por artistas de toda espécie. Em sua estréia-solo, Claudia contou com convidados como Gabriel o Pensador e Daniela Mercury, que não vivem propriamente o auge.

Álbum de família
A cantora, na infância: ovo, e não jaca


Claudia é linda. Tem pernas extraordinárias – que na adolescência lhe valeram o apelido "zagueiro do Bahia" – e um vozeirão grave. A cantora fala em Deus a todo instante e, mesmo quando rebola no palco, se preocupa em não parecer vulgar. "Uso shortinho para valorizar minhas curvas, mas sem desrespeitar a Deus." Diz que não freqüenta uma igreja específica, mas tem uma relação estreita com os evangélicos. Seu casamento com o empresário Márcio Pedreira, realizado em março de 2007, foi celebrado pelo pastor Ivo, da Comunidade Evangélica Artistas de Cristo. Momentos antes de subir ao palco montado na Praia de Copacabana, cantou um hino religioso da pastora Ludmila Ferber. Quando era pequena, Claudia viu sua família passar por dificuldades. "Comíamos arroz, feijão e ovo todos os dias. Mas não tenho do que reclamar: Carlinhos Brown, por exemplo, era tão pobre que almoçava jaca", diz. Hoje em dia, ela tem um padrão de vida confortável. O Babado Novo fazia dezesseis apresentações por mês a um cachê de 350.000 reais. Ela está construindo uma casa em Alphaville, condomínio de luxo em Salvador, onde uma casa não custa menos de 1 milhão de reais. Se a carreira-solo decolar, será só o começo. A aposta está lançada.

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