sábado, março 01, 2008

Celso Ming Ainda tem chão

A pesar da forte realização de lucros de ontem, o campeão da tabela de rendimentos de fevereiro no Brasil foi, outra vez, o mercado de ações, fato que não deixa de ser surpreendente em tempos de crise, quando o aplicador tende a fugir das aplicações de risco.

No mês, a evolução do Ibovespa, que mede as cotações das 63 ações mais negociadas, foi de 6,7%, recuperando-se, assim, quase totalmente do tombo de janeiro o que, por sua vez, serviu para ajustar o mercado depois da valorização de 43,6% em 2007.

A tabela do Confira aponta as projeções de 13 bancos e corretoras para o comportamento do mercado de ações nos próximos dez meses. Ela mostra que a Bolsa tem um bom chão para andar em 2008. É uma projeção fundamentada em boas razões.

A mais importante dessas razões é o fato de que a crise global já não tem as mesmas condições de antes para afugentar o aplicador dos segmentos de risco. Já se completaram sete meses de turbulências que ainda poderão perdurar uns dois ou três trimestres. É uma duração longa o suficiente para deixar mais difícil a aposta de que o pior ainda está por vir. Pelo seguinte:

Os bancos centrais, principalmente o Fed (banco central americano), estão derrubando os juros; os bancos, principais vítimas da crise, estão se recapitalizando; nada menos que US$ 167 bilhões estão sendo transferidos pelo Tesouro americano para o bolso de seus consumidores a fim de manter azeitados o consumo e as máquinas da indústria; o dólar se desvalorizou 10% ante o euro em sete meses e isso vai contribuir para o aumento das exportações dos Estados Unidos; e, em período eleitoral, não está descartada nova decisão que facilite o pagamento das prestações hipotecárias pelos mutuários americanos de menor poder aquisitivo.

Isso não é pouca coisa. Ainda que a economia americana acabe pagando certo preço em redução da atividade econômica - o que ainda não é certo -, não dá para desprezar o efeito desse ajuste. Se esse argumento está correto, não é fora de propósito esperar que os investidores procurem ainda mais as aplicações de risco.

O segundo fator que parece fortalecer o mercado de ações é o de que a economia mundial está ainda mais líquida do que em meados do ano passado. E fartura de dinheiro favorece as ações, especialmente depois que as porteiras mais largas, as do mercado imobiliário, serão evitadas por muito tempo.

A despeito das oscilações próprias desse mercado, a Bolsa brasileira pode se beneficiar de mais dois fatores. O primeiro tem a ver com o espraiamento da percepção de que a economia brasileira adquiriu resistência a infecções financeiras. Não é à toa que, em fevereiro, a Bolsa brasileira subiu 6,7% enquanto a de Nova York caiu 3,6%.

O País conta com reservas próximas dos US$ 200 bilhões; exibe forte atividade econômica com estabilidade de preços; e ostenta uma moeda agora robusta.

Afora isso, parece iminente o reconhecimento de grau de investimento. Até mesmo antes de que isso se confirme, o Brasil deverá receber recursos de fundos de pensão e de administradores de carteiras conservadoras. E boa parte desses recursos tomará o caminho da Bolsa.

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