sábado, fevereiro 23, 2008

Os efeitos do seu xampu

O primeiro xampu nos moldes modernos apareceu na década de 30 e, desde então, uma variedade de novas substâncias cheias de promessas vem sendo acrescentada à velha fórmula. Algumas funcionam — outras não.

Manoel Marques
A empresária Ana Paula Graziano, 39 anos, tem sempre em casa uma coleção de vinte xampus diferentes: "Minha experiência mostra que muitos deles não cumprem com a promessa do rótulo"

Essa é a conclusão de uma nova pesquisa conduzida pelo Instituto de Química da Universidade de Campinas (Unicamp), cuja especialidade é justamente o estudo sobre cabelos. Durante cinco anos, os pesquisadores observaram cientificamente o efeito de algumas dessas substâncias, entre elas o áloe vera e as ceramidas. Enquanto isso, outros quatro grupos nos Estados Unidos e na Europa faziam um trabalho semelhante. Ao final, chegou-se a uma análise detalhada de cinco das substâncias mais usadas nas fórmulas dos atuais xampus. Conclusão: três delas causam, de fato, algum impacto positivo aos cabelos – e as outras duas têm efeito nulo. A seguir, os especialistas explicam por quê.

Com filtro solar
Promessa do xampu: proteger os cabelos contra os raios UVA e UVB, nocivos, nesse caso, por duas razões – eles deixam os fios ressecados e mais quebradiços, segundo foi comprovado por meio de estudos científicos
Funciona? Não
Conclusão da pesquisa: o filtro de proteção contido no xampu não resiste a um único enxágüe – 98% dele desaparece no ato. O resíduo que fica nos cabelos tem efeito zero

Com vitaminas
Promessa do xampu: com fórmulas compostas, em geral, por vitaminas A, B ou E, a idéia é fortificar os fios e lhes conferir brilho
Funciona? Não
Conclusão da pesquisa: o consumo regular de alimentos ricos em tais vitaminas de fato estimula o aparecimento de fios mais fortes, como já foi comprovado cientificamente – mas no xampu o efeito delas é zero. Também não se verificou nenhum impacto positivo quanto ao brilho, como prometem alguns fabricantes

Com silicone
Promessa do xampu: tornar os cabelos mais fáceis de pentear e lhes dar brilho
Funciona? Sim
Conclusão da pesquisa: por sua oleosidade, o silicone cumpre com as duas promessas e ainda ajuda a formar sobre os cabelos uma camada protetora – espécie de blindagem contra a perda natural de proteínas durante a lavagem. Com isso, os cabelos ficam menos quebradiços a longo prazo. É bom, no entanto, manter parcimônia no uso: a aplicação diária desse tipo de xampu pode deixar os cabelos oleosos demais



Com ceramidas
Promessa do xampu: repor o suprimento de ceramidas, uma proteína natural dos cabelos cuja função é manter os fios uniformes da raiz às pontas, livres de eventuais ramificações. Em quatro meses de uso do xampu, cerca de 80% de tais proteínas desaparecem dos cabelos, daí a necessidade de uma dose extra delas
Funciona? Sim
Conclusão da pesquisa: as ceramidas artificiais de fato aderem aos cabelos e se prestam bem ao papel de unir as escamas dos fios, conferindo-lhes uma superfície mais lisa e algum brilho



Com Áloe Vera
Promessa do xampu: hidratar os cabelos por meio do áloe vera, um extrato retirado da babosa fartamente usado pela indústria de cosméticos
Funciona? Sim
Conclusão da pesquisa: o extrato em questão é composto de 96% de água e 4% de moléculas de carboidrato. São justamente essas moléculas as responsáveis pelo transporte da água às camadas mais internas dos fios, daí o efeito hidratante. Os testes indicam que o melhor resultado se dá quando o xampu permanece por pelo menos três minutos nos cabelos

Os antigos e seus cabelos

Como as pessoas lavavam os cabelos até o advento do xampu

Fotos Anderson Prado/Diário de São Paulo e divulgação

2800 a.C.
Os babilônios eram adeptos de uma mistura de sabão à base de gordura animal com cinzas

1500 a.C.
No Egito antigo, aplicava-se nos cabelos uma pasta de óleos animais e vegetais com pitadas de sal

Século IV d.C.
Os romanos passavam no corpo e nos cabelos a mesma solução de óleo de oliva

Século XVIII
A aristocracia inglesa usava um produto feito de sabão derretido e ervas. De ótima fragrância, costumava irritar a pele e os próprios cabelos. Já era chamado de xampu – massagem, em dialeto hindi

Década de 30
Surge nos Estados Unidos o Drene, o primeiro xampu nos moldes modernos: fórmula com detergente, água e sal


2008
O Brasil ocupa a terceira posição no ranking internacional de produção de xampus – fabrica 180 000 toneladas por ano


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