sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Mister Gabrielli por Adriana Vandoni

Alguns dias já se passaram, e nada! Algumas entrevistas já foram concedidas pelos diretores da Petrobrás, e nada! O roubo dos segredos da Petrobrás, não é apenas um caso de polícia, como fizerem entender em suas explicações, os dirigentes da empresa. É mais que isso: o governo e os dirigentes da Petrobras devem satisfações ao país. A tranqüilidade das declarações do Presidente da empresa, Sergio Gabrielli, é um deboche com os brasileiros que esperam um mínimo de respeito e cuidado com os bens públicos. Pelas declarações da Polícia Federal foi espionagem mesmo.

Haverá culpados, punições?, ou tudo ficará como nos outros escândalos, sem culpados, e tocando o barco à espera que outro escândalo encubra este? A Petrobrás, atualmente sendo dirigida por um petista histórico, mister Sergio Gabrielli, tem que dar explicações sobre o porquê da facilidade do roubo dos dados sigilosos da empresa, mas não por isso especificamente, já que roubos fazem parte da nossa cultura, e creio até que ter experiência no setor é meio caminho para ter sucesso na vida pública, mas o mais absurdo de tudo é como os dirigentes da empresa tiveram coragem de contratar para transportar os dados sigilosos da Petrobrás, justamente a empresa Halliburton, que já teve como seu presidente o atual vice-presidente dos Estados Unidos Dick Cheney.

A empresa além desse detalhezinho, pra quem não sabe, é acusada de diversas falcatruas e corrupções, com contratos superfaturados, sem concorrência pública. Só com o Exército dos EUA tem contratos com valores que ultrapassam US$ 11 bilhões.

Dá pra imaginar que a Petrobrás, empresa que tem “orgulho de ser brasileira”, confiou a segurança de seus dados sigilosos a uma empresa que representa os “magnatas” da indústria do petróleo norte-americano, que já foram acusados de serem os grandes incentivadores da invasão do Iraque? Pelamordedeus!!!

A verdade é que diversos acontecimentos recentes podem ter estimulado a espionagem: a recente divulgação do mega-campo de Petróleo de Tupi colocou a companhia brasileira no noticiário internacional em um momento em que a crise do petróleo assusta os países grandes consumidores. Todos sabemos que a nação exigirá investimentos maciços no setor, e saber detalhes sobre o nosso “ouro negro” é estratégico. Ah, os documentos se referiam aos campos de gás da reserva de Júpiter? Seria uma boa desculpa, mas gás também significa energia e dinheiro, e se “os imperialistas” inventam quaisquer artifícios para ir à guerra para resguardar seus interesses no petróleo, imaginem roubar uns notebookszinhos dando sopa por aí? Neste caso também vale a máxima de que quem tem informação tem poder.

O que mais causa indignação (e uma pitada de curiosidade, claro) é que a empresa que presta serviços de segurança para a Petrobrás está sendo acusada de tantos “desvios”.

Tenho medo só de pensar. Será que o governo do Brasil seguindo essa “fabulosa” estratégia de segurança, já contratou alguma empresa ligada aos grandes laboratórios farmacêuticos para dar segurança às nossas reservas biológicas? Será que ainda não pensaram em designar o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, para fazer a guarda das nossas florestas amazônicas?

O amadorismo desses “burgueses do capital público” é hilário. No passado Roberto Campos foi taxado com o apelido de Bob Field porque supostamente defendia os interesses do império americano. Mister Gabrielli deve ser muito respeitado lá pelo estado do Texas, terra do presidente Bush.

É melhor rir da nossa desgraça, porque se pararmos pra chorar, haja lenço.

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