quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Eliana Cantanhêde E os cubanos?

BRASÍLIA - É impressionante como Fidel Castro consegue manter durante meio século o mito, o regime autoritário, o mesmo discurso, até o mesmo uniforme, o mesmo boné, a mesma barba. E dividir opiniões tão apaixonadamente! 
Velhos choram sua renúncia como o fim do mundo. Jovens abominam o regime e ridicularizam seu líder. Talvez seja arrogância e falte olhar os personagens e suas circunstâncias, distinguir a simbologia libertária da prática autoritária; ver o processo, não o momento -nem só ontem, nem só hoje. 
Fidel entra para a história, Cuba fica. Não tem peso econômico, com seu PIB de US$ 40 bi, nem pode exportar modelos e revoluções, mas existe, tem força simbólica e precisa vislumbrar um futuro. 
"Cuba não tem a menor importância", ouve-se de embaixadores, de colunistas, de recém-formados que não passaram pela Guerra Fria nem tiveram passaportes com o carimbo esdrúxulo de "Não é válido para Cuba". Se não tem importância, por que raios a maior potência do planeta decretou, manteve e até hoje insiste num embargo cruel contra a ilha? 
Se é impressionante como Fidel pôde se manter o mesmo Fidel e na mesma Cuba por meio século, é igualmente impressionante como os EUA puderam se manter irredutíveis durante todo esse tempo. 
É exatamente nesse espaço que se esgueira o Brasil, habilitando-se como mediador. Não só porque queira (não é a cara do Lula?), mas porque é chamado pelos dois lados e por parceiros como Espanha e México. Juntos num "grupo de amigos de Cuba", como houve para a Venezuela, esses países vão tentar dar suporte a Raúl Castro para sair do isolamento e se integrar à comunidade internacional. 
Mas ele tem de fazer a sua parte. 
E, como em ditaduras não há pesquisas, não se sabe o que o povo da ilha quer. Antes de falar, é preciso ouvir. Com a palavra, os cubanos! 

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