sexta-feira, março 21, 2008

Dubai atrai famosos com ilhas artificiais

Iscas imobiliárias

Em busca de compradores para seus condomínios
extravagantes, Dubai presenteia famosos com ilhas artificiais


Julia Duailibi

Os arquipélagos artificiais de Dubai: a orla passou de 75 para 1 200 quilômetros

Num piscar de olhos, Dubai, um pequeno emirado de solo desértico, tornou-se o epicentro dos maiores desvarios de que se tem notícia em matéria de condomínios residenciais. Ilhas artificiais em forma de palmeira, de mapa-múndi e até de sistema solar vão abrigar uma centena de resorts e hotéis de luxo, além de milhares de mansões. Há 45 bilhões de dólares investidos em projetos imobiliários em construção e outros 45 bilhões estão prestes a sair do papel. Isso num momento em que o mundo das finanças globais ainda tenta medir a extensão da crise imobiliária americana e seus reflexos internacionais. Para sorte do governo de Dubai e das construtoras envolvidas na incrível empreitada, a crise não chegou a essa que é uma das sete cidades-estado que formam os Emirados Árabes Unidos. Lá o preço dos imóveis ainda sobe, com uma demanda de 70 000 casas por ano contra uma oferta de apenas 56 000.


Fotos Sean Dempsey/AP e Toby Melville/Reuters
O casal Beckham e o atacante inglês Owen: desconto para atrair estrelas ao Oriente

Por trás do mercado aquecido estão uma campanha publicitária avassaladora e uma estratégia de marketing curiosa: celebridades recebem de presente – ou a preço de banana – ilhas e mansões paradisíacas. Tudo para atrair compradores anônimos interessados em morar ou passar férias perto de gente famosa. O governo de Dubai já presenteou Pelé e o ex-piloto de Fórmula 1 Michael Schumacher com ilhas artificiais. Outros dois que tiveram acesso facilitado ao reino de famosos de Dubai são o jogador de futebol David Beck-ham e sua mulher, Victoria. Bastou Beckham e a spice girl demonstrarem interesse em adquirir uma ilha no emirado que o próprio Mohammed bin Rashid Al Maktoum, o dadivoso xeque de Dubai, anunciou-lhes um enorme desconto. O cantor pop Rod Stewart, o empresário inglês Richard Branson e Michael Owen, atacante do English team, como Beckham, também já ganharam endereço em Dubai. A presença dessa constelação de celebridades rende publicidade gratuita em jornais e revistas ao redor do mundo, mas realmente ajuda a vender casas e terrenos? "É claro que ajuda", diz a brasileira Cecília Reinaldo, diretora da High Society, uma das maiores imobiliárias do emirado. Com essa estratégia, diz ela, Dubai está virando uma espécie de Saint-Tropez alavancada pelos mais fantásticos empreendimentos mundiais – como a construção da Dubailand, uma Disneylândia duas vezes maior que a original, um hotel no fundo do mar e o arranha-céu mais alto do planeta – além, é claro, dos arquipélagos artificiais.


AP
The World: as 300 ilhas do arquipélago terão resorts, mansões e até castelos

Desde que os emirados foram criados, em 1971, Dubai tem sido uma das regiões que mais crescem no mundo. De um lugar que vivia da pesca, passou pela descoberta de petróleo, em 1966, até chegar a paraíso do turismo, com 6 milhões de turistas por ano. Hoje o petróleo colabora com apenas 5% de seu PIB, estimado em 70 bilhões de dólares. Com a visão de Mohammed, a orla do pequeno país, que tinha apenas 75 quilômetros, saltou para 1 200. Há seis anos, o príncipe alterou as regras locais, permitindo que estrangeiros comprassem terras em algumas regiões de Dubai. Antes disso, a lei só permitia a concessão por 99 anos. A mudança na legislação, aliada à isenção fiscal, atiçou o apetite dos investidores. "Ao que tudo indica, estamos vendo em Dubai o que ocorreu na Flórida há anos, mas numa magnitude ainda maior", disse Ricardo Yazbek, empresário do setor imobiliário, que liderou uma comitiva de quarenta pessoas do setor para conhecer o país.

Quando foi lançado o primeiro aterro em forma de palmeira, em 2002, 4 000 casas e apartamentos foram vendidos em 72 horas. Desde então, os imóveis já se valorizaram 70%. Para os não famosos, uma ilha sai por até 60 milhões de dólares – só o terreno. Esse é o valor para adquirir um espaço exclusivo no arquipélago The World, cujas ilhas receberam o nome de sua localização no mapa. Curiosamente, podem-se comprar quatro ilhas "brasileiras" nesse arquipélago: Rio de Janeiro, São Paulo, Belém e Brasília. Alguém se interessa?

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