Entrevista:O Estado inteligente

domingo, janeiro 15, 2006

ELIANE CANTANHÊDE Uni duni tre

FOLHA
BRASÍLIA - Imagine você um candidato tucano a deputado, a senador ou a governador no Amazonas, no Piauí, no Paraná ou onde mais for. Como ele vai escolher o candidato do PSDB à Presidência? Vai escolher o que tiver mais chance de vencer e de puxar votos -os seus votos.
O que conta não é a simpatia, a competência e nem mesmo quem seria melhor presidente. Afora os políticos mais "unha e carne" com José Serra (como Jutahy Magalhães) ou mais ligados a Geraldo Alckmin (como Arnaldo Madeira), a maioria tende a decidir com base nas... pesquisas.
No último Datafolha, em dezembro, a estrela foi Serra, que ultrapassou Lula no primeiro turno, com 36% a 29%. Mas Alckmin não fez feio, ao contrário, com 22% ante 30% de Lula. E daí vem essa guerra, com batalhas mais e mais diárias e campais -ou seja, em entrevistas nas ruas.
Os papéis inverteram-se. Serra anda discreto, e Alckmin, cada vez mais pimenta e menos chuchu. Porque Serra quer manter tudo como está. Já Alckmin precisa avançar e convencer tucanos e pefelistas de que tem para onde crescer. Um tem o "hoje". O outro promete o "amanhã".
A disputa começa a ir longe demais. Enquanto eles se engalfinham, Lula dá passos firmes. Repisa dia e noite que faz a gestão "mais social" de toda a história brasileira e força a comparação dos dados econômicos entre seu governo e o de FHC (obviamente sem considerar o processo: um é também resultado, ou avanço, do outro). Essas coisas pegam.
Tasso Jereissatti está chegando neste fim de semana, os tucanos vão começar a se organizar e FHC vai ter que descer do muro na marra. Ele é o grande eleitor do PSDB.
O PT pode estar em frangalhos, mas se une em torno de Lula, porque não tem outro, nem melhor, nem pior. Já o PSDB, maior beneficiário da crise, está à beira de um racha -e rachas podem ser fatais em eleições.
O PT junta os cacos, enquanto o PSDB transforma trunfos em cacos. Só falta jogá-los pela janela.

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