Entrevista:O Estado inteligente

domingo, janeiro 15, 2006

VINICIUS TORRES FREIRE A ditadura do Banco Central

FOLHA
 SÃO PAULO - A desmoralização pública do secretário do Tesouro, Joaquim Levy, leva ao cúmulo a força e o isolamento do Banco Central. Levy criticou BC e mercado em entrevista ao jornal "Valor" de sexta-feira. Ainda na sexta, nota oficial de Antonio Palocci afirmava que Levy não tinha dito o que disse; se dissera, estava desautorizado, deveria calar a boca e ai de quem na Fazenda pretendesse dar com a língua nos dentes.
Em português claro, Levy acha que BC e mercado estão mancomunados na criação de expectativas indevidas sobre os riscos de inflação e sobre o nível dos juros, expectativas burra ou interesseiramente conservadoras.
A crítica de Levy baseia-se no manual do escoteiro-mirim ortodoxo de economia. Mas Levy, da meia dúzia de pessoas que comanda a economia e, na prática, o governo Lula, não pode dizer o que os melhores e mais sensatos economistas conservadores apregoam faz meses.
Do lado do BC estão Lula, Palocci e economistas de banco. O cúmulo da força e do isolamento é uma frase que lembra a situação de ditadores pouco antes do início da derrocada. Não é o caso do BC, que, além de não prestar contas sobre seus excessos caríssimos, na prática define metas insensatas para o rumo da economia. Como as instituições das finanças e o Congresso são um desastre, essa gente é inimputável e incontrolável.
O BC é um sucesso? Sua atuação só não foi mais teratológica em 2005 devido à economia mundial, que forçou a queda do dólar e dos preços, sem o que teria havido sinistra recessão.
Sobram dólares no mundo. O comércio mundial está animadíssimo. Tal animação se deve ao acordo tácito entre EUA e China de manter desequilíbrios nada ortodoxos em suas economias. Os americanos gastam os tubos, devem muito mais do que ganham e acham que o valor de seu patrimônio (casas) vai continuar a subir numa suave bolha. A China manipula seu câmbio, o que impulsiona exportações e saldo monstruosos em moeda forte, que financiam os EUA, com a ajuda do complexo asiático.
A ditadura do BC surfa na onda da heterodoxa economia mundial.

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