| A odisséia de Lula Rolf Kuntz* O Brasil está bem calçado, até agora, para resistir às ondas de impacto emanadas do treme-treme na embaixada da República de Ribeirão Preto em Brasília. Com US$ 13,5 bilhões de superávit na conta corrente do balanço de pagamentos, reservas de US$ 59,07 bilhões em 21 de março e exportações em alta, o País parece pouco vulnerável, neste momento, a pressões especulativas. O setor financeiro tem refletido as mudanças de humor no mercado internacional, ocasionadas, por exemplo, pela expectativa de nova alta dos juros básicos americanos na próxima semana. Os sinais de problemas com algumas moedas - especialmente da Islândia, da Hungria e da Polônia - podem ter chamado a atenção dos operadores brasileiros. Mas a grande incerteza atual do cenário interno - cai ou não cai o ministro da Fazenda, Antonio Palocci - ainda provoca reações notavelmente moderadas. Noutros tempos, com outros indicadores, dificilmente se poderia esperar uma calmaria como a das últimas semanas. Os sinais de inquietação, muito discretos até o momento, refletem alguma incerteza quanto à política econômica a partir do próximo ano. Parece haver um consenso, ou quase consenso, entre empresários, analistas e operadores do mercado financeiro: com ou sem Palocci o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manterá as linhas gerais da política econômica pelo menos até a eleição. Essa política tem sido uma blindagem para seu governo e ele não cometerá a imprudência de mudar o roteiro nos próximos meses, seja quem for o ministro. Há bons argumentos a favor desse ponto de vista. Se for correto, o presidente Lula assumirá como sua a política econômica e o nome do ministro, nos próximos meses, será um detalhe secundário. Se for uma pessoa identificada com a atual política, melhor para Lula. Se não for, terá de aceitar o estilo de política seguido até agora, sem causar grande agitação. Mas, nesse caso, por que o presidente Lula tanto se esforça para manter um auxiliar sujeito a um bombardeio tão intenso e tão pesado? O ministro de Relações Institucionais, Jaques Wagner, deu uma primeira indicação, ontem, de que o empenho presidencial terá um limite. "Com o que está revelado até agora", disse Wagner, referindo-se a Palocci, "vamos sustentá-lo." Mas a permanência do ministro da Fazenda, explicou, dependerá da evolução das investigações. Os analistas do mercado podem estar subestimando a complexidade do quadro. O presidente pode ter mais de um motivo para se empenhar na defesa de Palocci. O ministro da Fazenda, tem dito Lula, é responsável por algumas das conquistas mais importantes do atual governo. Ele não disse quais, mas é fácil defender esse ponto de vista. No mínimo, a política de Palocci - e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles - tem permitido a Lula viver sem grandes sobressaltos. A inflação contida tem preservado o poder de compra dos trabalhadores e isso também pesa. Mas é preciso avaliar outros pontos. Se Palocci cair, o presidente da República terá perdido em pouco tempo os dois nomes mais fortes de seu governo, o ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o ministro da Fazenda. Ambos terão caído em condições moral e politicamente custosas para o governo. Irão somar-se a outras baixas importantes no partido e no Congresso. Ulisses conseguiu chegar a Ítaca mesmo tendo perdido seus companheiros na longa viagem. O risco de a odisséia petista acabar num desastre será muito maior. Em segundo lugar, Lula será mesmo capaz de manter o rumo da política, sem desarrumar os fundamentos da economia, na ausência de Palocci? O presidente sustentou muitas decisões importantes do atual ministro da Fazenda, mas essa não é toda a história. A firmeza de Palocci e sua influência sobre Lula também foram determinantes. E mesmo a firmeza do ministro teria sido menos eficaz, provavelmente, sem a teimosia do presidente do BC e de sua equipe. Enquanto Palocci era alvejado, o ministro de Relações Institucionais montava em Brasília, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, um seminário com predominância de críticos da política econômica. Foi um seminário organizado, segundo o ministro Wagner, não para a defesa do governo, mas para a discussão de temas importantes para o desenvolvimento do País. Mas os debatedores não cuidaram de algo tão vago quanto "o governo". Afastado Palocci, pressões como essa poderão ganhar uma eficácia que não tiveram até agora. Nesse caso, ninguém poderá dizer com um mínimo de segurança qual será o limite das mudanças possíveis. A política de juros poderá ser o primeiro alvo e os empresários aplaudirão. Mas haverá pressões, também, por mudanças no câmbio e na política de gastos públicos. Lula será capaz de administrar essas pressões? *Rolf Kuntz é jornalista |
Entrevista:O Estado inteligente
- Índice atual:www.indicedeartigosetc.blogspot.com.br/
- INDICE ANTERIOR a Setembro 28, 2008
quinta-feira, março 23, 2006
Rolf Kuntz A odisséia de Lula
Arquivo do blog
-
▼
2006
(6085)
-
▼
março
(569)
- Dá Lulla
- A saída única do beco VILLAS BÔAS CORRÊA
- A ordem saiu do Planalto
- O CORDEL DO MINISTRO
- CLÓVIS ROSSI De vis, boçais e cínicos
- ELIANE CANTANHÊDE Revolução
- NELSON MOTTA '"Dancin" Days'
- LUÍS NASSIF A qualidade total e a política econômica
- A economia sem Palocci LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
- JANIO DE FREITAS O salto
- CELSO MING
- È arrivato il baritono?
- Iniqüidade penal
- Uma conta de chegar
- DORA KRAMER Oposição fecha cerco ao PT
- Só queria a Presidência, mas já gosta da idéia de ...
- "FHC acha que pode dar jeito no Brasil; eu tenho c...
- Odisséia no espaço João Mellão Neto
- Comentário da cientista política Lucia Hippolito n...
- Corrupção estatal
- Luiz Garcia Um buquê e tanto
- MERVAL PEREIRA Trapalhadas tucanas
- MIRIAM LEITÃO BC ajuda Lula
- AUGUSTO NUNES Toga vira escudo de amigo suspeito
- CORA RONAI Um país em queda livre
- CARLOS ALBERTO SARDENBERG Não mudará, já mudou
- Lucia Hippolito na CBN:CPI valeu
- CELSO MING Fazenda e Banco Central
- DORA KRAMER Garotinho, um vice em gestação
- MERVAL PEREIRA Técnico x político
- MIRIAM LEITÃO No hay futuro
- CLÓVIS ROSSI Além de pirata, com vírus
- ELIANE CANTANHÊDE Cobertor curto e imagem puída
- SERGIO COSTA Nos olhos dos outros
- DEMÉTRIO MAGNOLI Uma nação de corruptos?
- LUÍS NASSIF Bastos e a CPI do Fim do Mundo
- ‘O MENSALÃO FOI UMA REALIDADE’
- O mantra de Mantega
- Dada a partida
- Boa surpresa
- Lucia Hippolito na CBN:CPI valeu
- Lulinha está lá, sim
- IMPORTANTE !!!
- Lucia Hippolito na CBN:Lula fica só
- MIRIAM LEITÃO O dia seguinte
- MERVAL PEREIRA Crise potencial
- A MISSÃO DE MANTEGA
- CLÓVIS ROSSI Ópera-bufa na republiqueta
- FERNANDO RODRIGUES A história oficial
- PLÍNIO FRAGA A esperteza embute a mentira
- JANIO DE FREITAS Algumas sobras
- LUÍS NASSIF A economia sem Palocci
- De Antonio a Guido PAULO RABELLO DE CASTRO
- Truculência e desrespeito às leis
- DORA KRAMER Muito riso e pouco siso
- Usurpação entre Poderes
- Desafio para o novo ministro
- Uma crise de governo
- Celso Ming - O rei solitário
- A Posse de Mantega - Clima bom, hein?
- IMPEACHMENT DE LULA JÁ!
- Pergunta que não quer calar
- A queda de Palocci
- PALOCCI SAI, A CRISE FICA EDITORIAL DA FOLHA
- PROTESTOS NA FRANÇA EDITORIAL DA FOLHA
- CLÓVIS ROSSI A nudez de Lula
- ELIANE CANTANHÊDE Fim de festa
- SERGIO COSTA Do circo ao cerco social
- É uma vergonha! BORIS CASOY
- Temor de crime de Estado motivou queda
- JANIO DE FREITAS No país indignado
- LUÍS NASSIFLUÍS NASSIF Um mestre do mimetismo
- AUGUSTO NUNES Lula tem culpa nesse cartório
- Febeapá rural:: Xico Graziano
- Desafio a Lula
- Apurar toda a verdade
- Míriam Leitão - Nova direção
- Merval Pereira - O aparelhamento
- Luiz Garcia - Fator Joaquim Levy
- Dora Kramer - Caso de Polícia
- Celso Ming - Tampão ou não tampão
- Fernando Henrique Cardoso: "Não vamos repetir os e...
- Lucia Hippolito na CBN:O fim do popstar
- Tão podre, tão cedo
- Reforma da gestão
- Serra: sair ou sair
- O que quer a esquerda
- Da dança ao lixão
- FHC diz que violação de conta o deixou 'perplexo'
- FH se diz cansado do governo Lula
- Pesquisas, marketing e jornalismo
- Já não podemos dizer nada! Sandra Cavalcanti
- Lucia Hippolito :Para coração forte
- Mastigar cana e assoviar CELSO MING
- À merda qualquer escrúpulo
- Vale a pena ler de novo
- Robert Samuelson Não precisamos de trabalhador con...
- Mailson da Nóbrega A ignorância de Stédile
- João Ubaldo Ribeiro Tem governo aí, não?
- daniel piza
- Gaudêncio Torquato A Novíssima República dos coronéis
- Paulo Renato Souza Governo ditatorial
- DORA KRAMER Segurança e democracia
- EDITORIAL DA FOLHA EFEITOS DA VERTICALIZAÇÃO
- CLÓVIS ROSSI Quando calar é pecado
- ELIANE CANTANHÊDE Além de tudo, burrice
- SERGIO COSTA Dança sem par
- JANIO DE FREITAS Estado de calamidade
- FERREIRA GULLAR Último ato
- República de “pelegos” FRANCISCO C. WEFFORT
- EDITORIAL DE O GLOBO Tradição negativa
- MIRIAM LEITÃO Entre riscos
- MERVAL PEREIRA O arco da oposição
- AUGUSTO NUNES Lula comanda o ataque ao caseiro
- Fronteiras com a República de Saló Fernando Gabeira
- Na casa de Francenildo
- A dançarina entende de impunidade
- veja Entrevista: Bob Iger
- Roberto Pompeu de Toledo O futuro – uma visão virt...
- MILLÔR
- Diogo Mainardi Marcelo Netto, Marcelo Netto
- André Petry O Estado policial
- Uma sucessão de escândalos banaliza a corrupção
- Como a crise moral na política afeta nosso dia-a-dia
- Auditoria comprova favorecimento à GDK
- PFL e Alckmin negociam o vice na chapa tucana
- Até o logotipo do dossiê era falso
- O que restará da floresta em 2050
-
▼
março
(569)
- Blog do Lampreia
- Caio Blinder
- Adriano Pires
- Democracia Politica e novo reformismo
- Blog do VILLA
- Augusto Nunes
- Reinaldo Azevedo
- Conteudo Livre
- Indice anterior a 4 dezembro de 2005
- Google News
- INDICE ATUALIZADO
- INDICE ATE4 DEZEMBRO 2005
- Blog Noblat
- e-agora
- CLIPPING DE NOTICIAS
- truthout
- BLOG JOSIAS DE SOUZA