FOLHA
Não estão claros os caminhos da siderurgia brasileira. Desde que o indiano Mittal fez uma proposta de tomada de de controle hostil da Arcelor, mudou o paradigma da siderurgia mundial. Nos últimos anos, segundo a apresentação de Rinaldo Campos Soares -da Usiminas- no seminário "Caminhos da siderurgia", o setor passou por cinco movimentos sucessivos. Primeiro, o da desconstrução nos países desenvolvidos, que resolveram se desfazer de suas velhas siderúrgicas. O segundo, o deslocamento da produção de aço para a Ásia, com China, Coréia e Índia assumindo um papel muito mais dinâmico do que o eixo do Atlântico. O terceiro, a influência da China, impactando os preços e a produção do aço. O quarto, a pressão ambiental e a integração das cadeias produtivas, com grandes acordos fechados entre produtores de aço e grandes consumidores. Quinto, finalmente, a consolidação da siderurgia em torno de grandes grupos globais. Em algumas áreas do país , há o pensamento de retomar os tempos da antiga Siderbrás, mas temperada pela participação do capital privado. É um caminho não recomendado pelo consultor Cláudio Fristchtak, que já foi do Banco Mundial. A privatização pulverizou a siderurgia brasileira em vários grupos. Perderam-se dez anos de esforço na consolidação em torno de alguns grupos. Nem tudo foi em vão. Nesse período, todo o esforço gasto n resultou no aumento da produção nacional. Melhoraram-se os processos industriais, aprimoraram-se os controles ambientais, mas não resultou em aumento da produção. No quadro atual, qualquer processo de reestruturação dispersaria esforços. Por isso, o esforço total deve ser no aumento da produção. Entre os dois fantasmas que assustam a siderurgia mundial -a China e a Índia-, não se acredita que nenhum tenha vocação exportadora. Eles têm um mercado interno enorme para explorar. Já o Brasil tem que contar, por enquanto, apenas com as exportações. Sua grande vocação seriam os laminados a quente, produtos semi-elaborados. A vantagem brasileira reside nas restrições ambientais dos países mais avançados -cujas siderúrgicas, mais antigas, foram construídas vizinhas a cidades. E também pelo fato de ser o produto que fornece menor risco de protecionismo. Recentemente a Usiminas tentou trabalhar aço para aros de automóveis nos Estados Unidos e foi esmagada por uma cota de importação pesada. O grande desafio brasileiro seria o acesso a mercados, o que se poderia conquistar por meio de duas estratégias bem definidas. A primeira, a associação com grandes grupos estrangeiros, ganhando condições de fornecer para a indústria automobilística mundial, por exemplo. A segunda, a aquisição de siderúrgicas médias em países desenvolvidos, estratégia brilhantemente perseguida pelo grupo Gerdau.
Brasif
A diretoria da Brasif (a arrendatária da maioria dos "free shops" dos aeroportos brasileiros) entra em contato para explicar a operação de venda da companhia para a suíça Duty -tema da coluna de ontem. Por envolver aspectos jurídicos, de direito público, os argumentos serão analisados na coluna de amanhã.
Brasif
A diretoria da Brasif (a arrendatária da maioria dos "free shops" dos aeroportos brasileiros) entra em contato para explicar a operação de venda da companhia para a suíça Duty -tema da coluna de ontem. Por envolver aspectos jurídicos, de direito público, os argumentos serão analisados na coluna de amanhã.