Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, novembro 29, 2005

CLÓVIS ROSSI Votar, votar, votar

FSP
GENEBRA - Os suíços foram domingo, pela milionésima vez, às urnas para uma penca de referendos, de âmbito local ou nacional. O mais chamativo foi a aprovação (55% dos votos) de uma moratória de cinco anos à introdução de OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) na agricultura suíça.
Eis um belo exemplo. No Brasil, é público que há divergências no ministério: Roberto Rodrigues (Agricultura) é a favor dos transgênicos (ou OGMs), mas Marina Silva (Meio Ambiente) é contra. O presidente da República fica de árbitro, embora não se tenha bem certeza do lado que adota, já que flutua mais que biruta de aeroporto em dia de vento.
Por que, então, não deixar que o eleitorado decida? Dirão alguns que, se nem os especialistas conseguem pôr-se inteiramente de acordo sobre a questão, o que dirá do tal de povo, na média pouco informado ou mal informado? É um argumento poderoso, admito, mas, levado às últimas conseqüências, leva à anulação da democracia.
Se o eleitor não está em condições de decidir sobre OGMs menos ainda estará para escolher quem (presidente e parlamentares) vai acabar decidindo o assunto, entre mil outros.
Já se viu que não deu nada certo essa tese sibilina de que o povo não está preparado para votar.
Além do mais, o recente referendo sobre as armas, com todos os defeitos e problemas que possa ter tido, tornou o brasileiro mais bem informado sobre o assunto. Todo processo eleitoral tem esse papel didático, nem sempre bem aproveitado.
Lembro que não se trata de palpite ou gosto pessoal. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) lhe dá amparo jurídico ao encampar iniciativa de Fábio Konder Comparato, que busca aumentar as consultas populares.
Por mim, jogaria para o tal de povo decidir, por exemplo, o destino de José Dirceu. Acabaria com a onda de que não é democrático puni-lo ou de que não puni-lo será uma formidável pizza.

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