BRASÍLIA - A vida do ministro Antonio Palocci virou um inferno, e Lula não tem para onde correr. Palocci ficando ou saindo, o estrago é enorme.
Se sair, ele até pode obter uma trégua, mas Lula não. A queda de um ministro da Fazenda é sempre traumática, ainda mais nessas circunstâncias: suspeitas graves, um certo temor de que o governo afrouxe as rédeas e o mercado caindo de amores por Alckmin.
Lula vai ter de radicalizar para mostrar que a política econômica não muda e de gastar boa parte da campanha tentando explicar o caráter e a personalidade dos dois pilares do seu governo: Dirceu na política, Palocci na economia. Ambos implodiram, porque as bombas vieram de dentro: de Valdomiro, no caso de um; de Buratti, no de outro.
Se Palocci ficar, porém, vai continuar contaminando o governo e o próprio Lula -o presidente e o candidato. A fila de testemunhas da "casa do lobby" não pára de crescer, e a última foi o corretor da primeira casa, cuja dona desfez o contrato com a "república de Ribeirão" exatamente pelas coisas cabeludas que aconteciam ali. Virá outra e mais outra testemunha, cada uma com novos detalhes, alguns bem sórdidos.
Enquanto o ministro ficar, o assunto não sai das manchetes, especialmente depois da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo. Até quando Palocci agüenta?
Acabou-se, portanto, o refresco de Lula enquanto os alvos eram o Congresso, com as cassações (ou não-cassações), e os tucanos, que não se bicavam na escolha do candidato. Ele estaciona nas pesquisas justamente quando Alckmin é anunciado, sobe seis pontos no Datafolha e é recebido como herói por um PFL antes muito cético diante de suas chances.
Nesse clima, péssimo para Palocci e ruim para Lula, o destino do ministro da Fazenda depende de vários fatores -ou de cálculos-, inclusive o político, o eleitoral e, principalmente, o pessoal. Somando-se todos, suas chances de ficar parecem mínimas.
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