SÃO PAULO - A violação do sigilo bancário do caseiro que diz ter visto o ministro Antonio Palocci na casa da "República de Ribeirão Preto" é um ato de gangsterismo que só reforça a sensação de que a política brasileira desce mais e mais ao pântano.
O jogo aí é o seguinte: em vez de rebater a acusação, alguém, certamente aliado ou membro do governo ou do PT, puxa as contas do caseiro para desviar a suspeição do acusado para o acusador.
Típico gangsterismo. Mesmo que o caseiro tivesse recebido dinheiro da oposição, do demo ou de quem fosse, permanece de pé o fato de que o ministro é acusado de ter mentido sobre suas idas à casa suspeitíssima da república de sua terra.
Pior ainda é o fato de que o caseiro mostrou recibos que supostamente provam que os depósitos foram feitos por seu pai biológico. Quer dizer: pratica-se um ato de gansterismo para defender o ministro, mas sai um tiro no próprio pé, na medida em que até o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirma que é "grave" a violação do sigilo, ele que, nos últimos tempos, notabiliza-se mais por defender o governo que a justiça.
Nesse ambiente pantanoso, petistas de grosso calibre conseguem dizer invariavelmente as piores coisas. O secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, por exemplo, afirma: "Qualquer coisa que fira a lei deve ser deplorada, e foram muitas as vezes que isso aconteceu nesses nove meses, com vazamentos ilegais sobre membros do governo".
Ou seja, em vez de cair matando em cima de uma ilegalidade, como seria de praxe em quem tivesse zelo pelos valores republicanos, o secretário-geral prefere a sua própria versão da frase de Lula, aquela segundo a qual o PT, ao cometer trambiques, fez apenas o que sistematicamente se faz no Brasil.
Alguma surpresa com o ambiente pantanoso que se formou?
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