Entrevista:O Estado inteligente

sábado, março 25, 2006

EDITORIAL DA FOLHA DE S PAULO A TÁTICA DA CONFUSÃO

São mais do que precárias as condições políticas de um ministro de Estado obrigado a se isolar como um foragido. Antonio Palocci Filho há quase duas semanas impõe-se uma espécie de auto-exílio, furtando-se a dar expediente na Fazenda. Ontem escudou-se em um cerrado esquema de segurança para não ser questionado pela imprensa durante cerimônia na capital paulista.
Na Câmara Americana de Comércio, livre para falar sem ser interpelado, Palocci fez um desabafo. Afirmou que tem mantido distância dos jornalistas porque se julga vítima de uma disputa política que não poupa a sua intimidade nem a sua família; que não responde às últimas acusações por serem baixas e ofensivas; e que a economia vai caminhar bem mesmo com a política conturbada.
Confirma-se que confundir o público tem sido a tática deliberada de defesa do governismo nesse lamentável episódio. O estratagema ficara patente quando o PT apelou ao Supremo para sustar -em nome do resguardo da intimidade- o depoimento na CPI do caseiro que contradiz Palocci, quando o presidente da República advertiu que "resolveram mexer na economia" e no kafkiano episódio do uso do Estado para intimidar uma testemunha.
A intimidade e a vida familiar do ministro Palocci não estão em jogo. O que se quer saber é se o ministro mentiu, em atitude incompatível com o exercício do cargo, ao negar ter freqüentado uma casa mantida em Brasília por lobistas e escroques de Ribeirão Preto. Três testemunhas contestam a informação transmitida por Palocci à CPI de que ele, como ministro, não visitou a mansão do Lago Sul. É seu dever dirimir essa contradição.
Além disso, o destino de Palocci não pode ser confundido com a condução da macroeconomia. O fiador da política econômica é o presidente da República, e é dele que deve ser cobrado o compromisso de manter o arranjo atual, seja qual for o desfecho do escândalo que se abate sobre o seu auxiliar da Fazenda.

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