Entrevista:O Estado inteligente

quarta-feira, março 15, 2006

ALCKMIN: A APOSTA DO PSDB ! Cesar Maia

A decisão do PSDB -em parte pela maior receptividade de Alckmin entre os políticos e em parte pela estressamento de Serra- é uma aposta de alto risco. O pai das pesquisas de opinião política -Paul Lazarsfeld- da Universidade de Columbia -anos 1930- dizia que uma eleição se divide em duas partes como uma fotografia (da época). Na primeira se clica e se impregna a imagem no celulóide. Na segunda, se vai à câmara escura e com produto químico se revela a imagem. A primeira é a pré-campanha e a segunda a campanha propriamente -ou seja os últimos 60 dias. Lazarsfeld dizia que se não há imagem impregnada não há o que ser revelado depois. Ou seja: se não há pré-campanha, não há campanha. Nos EUA as primárias resolvem sempre a questão da pré-campanha. No Brasil não. A pré-campanha pode ser feita -imagem- pela participação numa campanha anterior, como Serra, Garotinho e Ciro Gomes. Ou se ocupando um espaço nacional de grande visibilidade -claro, sendo candidato à reeleição ou num ministério de exposição nacional. Quando isso não ocorre se conta com um tempo mínimo para se substituir a pré-campanha. E se parte para uma loteria eleitoral. Se todos os candidatos estão neste jogo, a loteria é para todos. Num processo de reeleição, o presidente está em pré-campanha sempre. Se sua avaliação é pelo menos razoável, o eleitor se sente seguro por conhecê-lo. O adversário sem pré-campanha, terá que fazer uma campanha de grande contundência, de forma a levar o eleitor a perder completamente a confiança e a segurança no presidente. Nunca será uma campanha de confronto de programas, de alternativas. Será uma guerra de desgaste, de desmonte do presidente. É fato que os escândalos de 2005 abrem caminho para isso. Mas também é verdade -que num país como o nosso com cultura de brasileiro cordial, a campanha negativa exigirá muito talento para o opositor não ir junto com a bacia e -assim- abrir espaço para um tercius. Marta Lagos -chilena- da MORI, com sua enorme experiência no latinbarometro, afirma que 70% dos votos se dão por valores. Desta forma 30% dos eleitores são mobilizáveis por programa de governo. Se pode imaginar que -por probabilidade- estes 30% estejam divididos em duas partes: uma à direita e outra à esquerda. Nesta eleição de 2006, a presença de Serra levaria o voto mais a esquerda -politicamente correto para ele. Sem Serra este voto tende a ir para Heloisa Helena. Pela direita não havia razões para o voto se concentrar maiis em Serra ou em Alckmin. Ao PSDB -mais do que a Alckmin, um político de proximidade como Lula- caberá atacar de forma contundente -e desde já- Lula, de forma a ir -substituindo a pré-campanha, pela desmontagem de Lula, abalando os alicerces do sistema de valores que ainda segura Lula. E isso tem que ser feito já. O candidato à reeleição tem espaço duplo -como presidente e como candidato. Isso vale até a entrada da TV. É uma desvantagem para quem se opõe. Serão 4 meses -de abril a julho- onde -mais do que a mobilidade e presença de Alckmin, valerá mais acertar no alvo em Lula, com dardos envenenados. Sem isso, a diferença abre e a probabilidade de tirar a diferença nos últimos 60 dias diminue muito. Lula pode ir tocando seu realejo e ganhando tempo. Para Alckmin a campanha já está atrasada. E sua turma tem que ser muito boa de tiro.

Arquivo do blog