Entrevista:O Estado inteligente

quarta-feira, outubro 12, 2005

FERNANDO RODRIGUES Poucas punições

 fsp
BRASÍLIA - Muita gente perdeu o cargo em estatais, autarquias e na Esplanada dos Ministérios, mas cassado mesmo só o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor das principais acusações de "mensalão".
A crise começou em maio. Outubro já está quase no meio. É pouco apenas um deputado ter sido punido -apesar de outros três desqualificados já terem renunciado ao mandato para escapar de um processo de cassação certa no plenário.
É errado dizer que haverá uma pizza ao final de tudo, pois mesmo as renúncias já são algum tipo de punição. Só que a comparação com casos recentes de corrupção indica uma evolução na incapacidade do Congresso para punir os responsáveis.
O último episódio mais evidente de uma avalanche de roubalheira foi o da CPI do Orçamento (1993/94). À época, estelionatários traficavam dinheiro público de várias maneiras. Era um esquema menor do que o valerioduto. Ao final, 18 congressistas foram listados para cassação. Oito se salvaram, seis foram cassados e quatro renunciaram ao mandato.
A rigor, portanto, dez congressistas foram expelidos depois da CPI do Orçamento. Agora, no "mensalão" e com três CPIs em andamento, é possível um número de punições semelhante. Sobretudo a quantidade final de deputados cassados.
Chama a atenção nos últimos dias o comportamento da oposição. Por que partidos anti-Lula não fazem representações diretamente ao Conselho de Ética contra os 13 deputados acusados de corrupção? Evitariam assim as renúncias em massa.
A resposta possível é que a oposição tem um desejo semelhante ao de Lula: acabar logo com a crise. Os registros de telefonemas do esquema do valerioduto para tucanos e pefelistas assustam. Essa, sim, é uma grande pizza em fase de acabamento. Mas sobre esse tipo de acordão ninguém gosta de dar entrevista no Congresso.

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