CPI dos Correios já prepara retirada 'propositiva' para não frustrar expectativas As idéias são muitas e já estão em debate entre senadores e deputados integrantes da CPI dos Correios, preocupados com a agenda do dia seguinte ao fim dos trabalhos da comissão, previsto para dezembro, ou para fevereiro, se houver prorrogação. Uma delas, do senador Álvaro Dias, propõe a criação de uma instância - um conselho ou agência - em que governo e sociedade possam, juntos, tratar de questões relativas à corrupção, seja no âmbito do combate ou no da prevenção. O senador mandou pesquisar mundo afora modelos de instrumentos de fiscalização compartilhada que não estejam submetidos a condicionantes políticas, como as comissões de inquérito do Parlamento, nem à hierarquia do Estado, como é o caso das controladorias já existentes no Executivo e que, os fatos apurados na CPI demonstram, nem sempre funcionam com a devida independência. Seria uma espécie de controle externo anticorrupção. A proposta será apresentada por Álvaro Dias num dos próximos encontros do grupo. O primeiro ocorreu no terça-feira passada e reuniu o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral, o relator Osmar Serraglio e os deputados Gustavo Fruet, ACM Neto, Onyx Lorenzoni e Arnaldo Faria de Sá, até o início da madrugada num restaurante de Brasília. Conversaram sobre as etapas seguintes da CPI com a preocupação central de apresentar um resultado final que vá além da exibição de uma lista de nomes de acusados e indícios de ilícitos a serem mais profundamente investigados pelo Ministério Público. "É preciso alterar o conceito distorcido segundo o qual se a CPI não prende, não serve para mais nada. Não podemos deixar que o aplauso da entrada nos desobrigue de, ao fim, fornecer uma sinalização competente para o futuro", diz Álvaro Dias. Dentro desse espírito, foram feitas várias sugestões para a reforma política, combate de corrupção eleitoral e na administração pública, controles mais rígidos para lavagem de dinheiro, reformulação do Instituto de Resseguros do Brasil e melhoria do entrosamento entre órgãos de governo. O deputado Onyx Lorenzoni propôs, e ficou encarregado de organizar, a realização de audiências públicas, ainda na vigência dos trabalhos da CPI dos Correios, com especialistas estrangeiros no tema corrupção. Citou o exemplo da Bulgária, onde, segundo ele, houve melhoria do desempenho interno e externo do país mediante a correção de deformações na administração pública. O deputado Gustavo Fruet pôde observar a existência de várias delas na nossa estrutura de Estado e faz uma divisão em dois grupos: as restrições de ordem legal e as limitações de natureza cultural. Estas, relativas a condutas dos operadores da máquina, são corrigidas com o tempo e o aumento do nível de exigência ética da sociedade. Mas as legais são perfeitamente passíveis de correção. Nesses meses de trabalho, Fruet pôde observar a inexistência de diálogo e entrosamento entre instâncias públicas. "O Banco Central tem um foco, a Receita Federal outro, nenhum dos dois fala adequadamente com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras e ninguém fala com o Tribunal de Contas da União." Uma modificação a ser proposta pela CPI, então, contemplaria uma forma de o TCU ter acesso a dados sigilosos para melhorar sua capacidade de fiscalização. Houve, e ainda há, dificuldades de toda sorte enfrentadas na CPI, como a incorreção de dados fornecidos pelo sistema financeiro - "não necessariamente por má-fé" - e pelas operadoras de telefonia - "levamos três meses para padronizar o acesso à informação dos sigilos telefônicos". Gustavo Fruet acha que a visão errática sobre os trabalhos das CPIs leva até a imprensa a cometer equívocos como "elogiar a comissão porque ela aprovou 70 requerimentos numa sessão", quando a verdadeira produtividade deve ser medida pelo resultado do exame dos dados em poder da comissão, como 360 contas bancárias e 200 mil ligações telefônicas. E, alerta, é preciso cuidado com a afoiteza da cobrança. Cita como exemplo as contas de Duda Mendonça no exterior. Na opinião dele, a equipe encarregada de investigá-las nos Estados Unidos vai levar de dois a quatro anos para concluir a apuração. "Como no caso do Paulo Maluf, é a mesma equipe." Na opinião dele, a CPI dos Correios precisará ter a "honestidade" de deixar isso muito claro à população a fim de que demoras necessárias não sejam traduzidas como ineficácia. O senador Álvaro Dias vai na mesma linha e defende a necessidade de a CPI dos Correios ter a sabedoria de saber a hora de parar. "Na França, por exemplo, as comissões tomam os principais depoimentos e depois entregam os indícios à Justiça." Ele é contra a prorrogação dos trabalhos além do prazo inicial de 15 de dezembro. "É melhor terminar no auge'', diz, temeroso de que a prorrogação leve a comissão a se desgastar, perder a credibilidade e dar sustentação às constantes tentativas de desqualificar o resultado das investigações que, na visão dele, foram substanciais o suficiente para "mostrar o desenho de um esquema de corrupção envolvendo os Poderes Legislativo e Executivo e o setor privado".
| |
| |
Entrevista:O Estado inteligente
- Índice atual:www.indicedeartigosetc.blogspot.com.br/
- INDICE ANTERIOR a Setembro 28, 2008
domingo, outubro 09, 2005
DORA KRAMER Agenda do dia seguinte
O ESTADO DE S PAULO
Arquivo do blog
-
▼
2005
(4606)
-
▼
outubro
(334)
- Farc preparam uma união pró-guerrilha
- 29/10/2005
- 27/10/2005
- Um por todos e todos por um
- Rigotto enfrenta Garotinho DORA KRAMER
- João Ubaldo Ribeiro Salvando a pátria
- 26 de outubro
- 25 de outubro
- DORA KRAMER Ao gosto do freguês
- MIRIAM LEITÃO Visto de lá
- Luiz Garcia Outros ‘nãos'
- jabor Eu sou um homem de pouca fé
- MERVAL PEREIRA A força conservadora
- Fwd: Reinventar os jornais
- Versões, fantasias e êxtase1
- Lucia Hippolito Desconfiança no Estado
- fsp JANIO DE FREITAS
- FERNANDO RODRIGUES fsp
- EDITORIAL DA FOLHA DE S PAULO A VITÓRIA DO "NÃO"
- Liebling; o glutão gracioso
- DORA KRAMER No rumo do prumo
- JOÃO UBALDO RIBEIRO Queremos ser modernos
- AUGUSTO NUNES Um pouco de bom senso sempre ajuda
- Cidadania na veia HELENA CHAGAS
- FERREIRA GULLAR fsp
- Os juros e o câmbio JOSÉ ALEXANDRE SCHEINKMAN
- Cresce percepção da responsabilidade de Lula na co...
- JANIO DE FREITAS
- ELIANE CANTANHÊDE Tiro no escuro
- CLÓVIS ROSSI Patente de corso
- EDITORIAL DA FOLHA DE S PAULO DEBATE REBAIXADO
- veja Uma briga boa
- veja Bons, mas só de bico
- veja Resultado que é bom...
- veja Roberto Pompeu de Toledo
- VEJA André Petry
- veja Diogo Mainardi
- VEJA Tales Alvarenga
- Variações sobre o humanismo
- DORA KRAMER Magistratura participativa
- ZUENIR VENTURA A barbárie vai à escola
- Helena Chagas - Campanha à esquerda
- FERNANDO GABEIRA Aquecimento e corrupção: limites ...
- Cenários latinos GESNER OLIVEIRA
- CLÓVIS ROSSI Prefiro o Delúbio
- Lucia Hippolito Dirceu tenta de tudo
- Ilimar Franco - O PT vai à luta
- Luiz Garcia - Adeus, nepotes
- Luís Nassif - A grande lavanderia
- Helena Chagas - Quem pisca antes?
- Clóvis Rossi - Bandeira 2
- Eliane Cantanhede - De pernas para o ar
- Dora Kramer - Para a oposição, agora é Lula
- Luís Nassif - As operações de balcão
- Eliane Cantanhede - Agonia sem fim
- Dora Kramer - Sob o signo do pensar mais fácil
- Clóvis Rossi - Maluf, Saddam e o PT
- Augusto Nunes - O teórico da roubalheira
- Luís Nassif - Blogs, fóruns e intolerância
- Fernando Rodrigues - Atraso sem fim
- Clóvis Rossi - Farol apagado
- Derrota do companheiro
- O panorama visto de cima do tapume
- Material de demolição DORA KRAMER
- Considerações sobre a tolerância Por Reinaldo Azevedo
- Jarbas Passarinho Quatro meses que abalaram o País
- DORA KRAMER O pior do brasileiro
- O fracasso do favela-bairro ALI KAMEL
- Luiz Garcia Herança para os sobreviventes
- Hipocrisia tenta anular imprensa brasileira
- LUÍS NASSIF A aftosa e a gestão financeira
- Os politiqueiros JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI
- ELIANE CANTANHÊDE A sorte está lançada
- CLÓVIS ROSSI A segunda confissão
- EDITORIAL DA FOLHA DE S PAULO DIFICULTAR A RENÚNCIA
- Começou a roubalheira? Ana Maria Pacheco Lopes de ...
- O homem disposto a cair de pé Lucia Hippolito
- Está crescendo a convicção de que as oposições est...
- VINICIUS TORRES FREIRE Armas, aborto, drogas etc
- FERNANDO RODRIGUES MTB é um gênio
- EDITORIAL DE O ESTADO DE S PAULO Gripe: negócio da...
- A triste realidade Alcides Amaral
- Pedro Doria A internet no centro do computador
- Carlos Alberto Sardenberg Lula erra no boi e na vaca
- Irmão de Celso Daniel teme ser a próxima vítima
- EDITORIAL DE O ESTADO DE S PAULO Um cenário melhor
- Reale aos 95 Celso Lafer
- dora kramer E o ‘núcleo’ virou Delúbio
- A vitória da empulhação e do PT MARCELO COELHO
- Cuidado com os reacionários! Por Reinaldo Azevedo
- A boa política de Negrão para as favelas
- JOÃO UBALDO RIBEIRO Somos todos uns trouxas
- Panorama Econômico Dois anos
- AUGUSTO NUNES O teórico da roubalheira
- FERREIRA GULLAR De arma na mão
- LUÍS NASSIF A volta da direita inculta
- Corrupção e ética universal RUBENS RICUPERO
- Crise está longe do fim, dizem analistas
- JANIO DE FREITAS Pelo sim, pelo não
- Um outro capitalismo LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA
-
▼
outubro
(334)
- Blog do Lampreia
- Caio Blinder
- Adriano Pires
- Democracia Politica e novo reformismo
- Blog do VILLA
- Augusto Nunes
- Reinaldo Azevedo
- Conteudo Livre
- Indice anterior a 4 dezembro de 2005
- Google News
- INDICE ATUALIZADO
- INDICE ATE4 DEZEMBRO 2005
- Blog Noblat
- e-agora
- CLIPPING DE NOTICIAS
- truthout
- BLOG JOSIAS DE SOUZA