Entrevista:O Estado inteligente

quarta-feira, outubro 12, 2005

CLÓVIS ROSSI Tristes repúblicas

 fsp
SALAMANCA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega amanhã a Salamanca para participar da 15ª Cúpula Ibero-americana. Fica no hotel que está também reservado para a delegação cubana, ou seja, para Fidel Castro, se ele vier.
Só por isso, imagino que já vá receber críticas. Bobagem. Em uma das cúpulas ibero-americanas (Porto, Portugal), Castro elogiou bastante Fernando Henrique Cardoso, então presidente, que ficou feliz como criança que ganha presente inesperado. Ninguém criticou FHC por gostar de elogios de um ditador.
Do meu ponto de vista, o problema de Lula é de outra natureza -triste, aliás. Explico: é a segunda vez que a Espanha serve de sede para uma cúpula ibero-americana. A primeira foi em 1992. O presidente do Brasil chamava-se Fernando Collor, já a caminho do merecido cadafalso.
Agora vem Lula cercado de uma prolongada crise política em que a corrupção é o nó, por mais que o presidente prefira dizer que não há corrupção, mas "erros". Collor poderia dizer a mesma coisa (foi absolvido pela Justiça), mas não ouvi nem de Lula nem de um único petista as desculpas que eles sugerem agora para si próprios.
O triste na história é ver os jornalistas ibero-americanos que participam comigo de um foro de comunicação falarem do governo Lula como se estivessem no velório de um senhor que julgavam bem-intencionado, mas que caiu na gandaia.
No almoço de ontem, havia colombianos, um argentino, venezuelanos, o ex-vice-presidente da Nicarágua Sérgio Ramírez, notável escritor, e Alejandro Urbina (Costa Rica), cujo jornal ("La Nación") botou na cadeia dois presidentes, fora um terceiro que está foragido.
As histórias de corrupção que rolaram chegam a ser cômicas, não fossem trágicas. Ainda assim, o episódio dos dólares na cueca no Brasil causa "frisson" mesmo entre quem não se espanta mais com a gatunagem.
Tristes repúblicas bananeiras.

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