Entrevista:O Estado inteligente

domingo, março 05, 2006

'Lula avança 5 anos em 50', diz Serra

OESP
'Lula avança 5 anos em 50', diz Serra

Prefeito reaparece em evento ao lado de Alckmin e, como o governador, chama presidente de anti-Juscelino

Carlos Marchi

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um dos poucos fatores capazes de criar harmonia entre o governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra. Ontem, ao lado de Alckmin, Serra usou um argumento do governador para bater no candidato que um deles vai enfrentar em outubro: "Li nos jornais que o governador Alckmin disse que Lula é o anti-Juscelino. Fiquei pensando por quê e descobri: na lentidão com que trabalha o governo federal, Lula vai avançar 5 anos em 50." O slogan de JK era "50 anos em 5".

Os dois candidatos à vaga tucana na disputa pela Presidência reapareceram juntos em público ontem, numa cerimônia que incluiu mais uma estação na rede do bilhete integrado trem-metrô-ônibus, na qual a prefeitura e o governo do Estado mostraram um entrosamento que os seus titulares não conseguem reproduzir, quando se trata de escolher o candidato do partido à Presidência. "Mas é claro que é (possível o entendimento)", disse Alckmin. "É o que estamos buscando".

Lado a lado, os dois procuraram demonstrar bom humor e entendimento fácil. Serra elogiou o convênio que permitiu o bilhete único integrado: "Quando éramos candidatos, nós dissemos que iríamos fazer e fizemos." Alckmin devolveu o agrado, fazendo blague: "Eu e Serra estamos em posições diametralmente opostas - amanhã, no jogo entre o Santos e o Palmeiras." Alckmin torce pelo Santos e Serra, pelo Palmeiras.

A preocupação em exibir naturalidade era tanta que os deputados Arnaldo Madeira, chefe da Casa Civil de Alckmin, e Walter Feldman, secretário das Subprefeituras de Serra, caminharam abraçados, conversando e sorrindo ostensivamente na maior parte do tempo.

Serra chegou bem mais cedo e levou um chá de cadeira de Alckmin, esperando-o por mais de meia hora. Quando o governador chegou, os dois se encontraram bem em frente às catracas da estação intermodal da Barra Funda, que acolhe trens, metrô e ônibus. O cumprimento foi um rápido e protocolar "tá bom?", sem maiores mesuras.

A multidão de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas que registrava o encontro comprovou que a disputa tucana é criticada, mas atrai atenções - tanto que os jornalistas eram seguidos por outra multidão de populares. Alckmin disse que a escolha do candidato será feita a seu tempo certo. "Não há nada de demora", afirmou.

CALMA E UNIÃO

Cedo, em Ribeirão Preto, Alckmin pediu calma e união ao partido, ao se referir à escolha do candidato tucano à Presidência. "A convenção é só em junho e a campanha, por lei, só a partir de julho", disse ele. O governador explicou que, como os dois principais candidatos, ele e Serra, ocupam cargos públicos, ambos estão sujeitos ao prazo de desincompatibilização, que se esgota em 31 de março.

"Eu cumpri todas as etapas dentro do PSDB, coloquei meu nome à disposição do partido e estou animado; é óbvio que quem o partido escolher terá meu apoio e eu espero que seja o Alckmin", disse, falando de si mesmo.

Por fim, além de criticar o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que voltou a chamar de anti-Juscelino -, Alckmin elogiou o PMDB, mas considerou difícil que o partido se alie ao PSDB, ao menos no primeiro turno das eleições presidenciais. "O PMDB é nosso primo, porque nós todos somos originários do antigo MDB, mas terá candidato próprio à Presidência", concluiu.

VERTICALIZAÇÃO

Alckmin considerou "correta e constitucional" a decisão de manter a verticalização nas coligações para as eleições deste ano, adotada ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para ele, o TSE não entrou no mérito da decisão do Congresso Nacional - que aprovou o fim da verticalização -, mas considerou que a Constituição proíbe mudanças nas regras eleitorais em anos eleitorais.

COLABOROU GUSTAVO PORTO

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