Entrevista:O Estado inteligente

domingo, março 05, 2006

ELIANE CANTANHÊDE Verticalizaram o Lula

FSP
BRASÍLIA - A decisão do TSE que reintroduziu a verticalização nas eleições de outubro deixou partidos e políticos como baratas tontas. Mas os dois grandes perdedores foram Lula e o PMDB, que tanto se empenharam para derrubar a medida na votação do Congresso. O PMDB votou quase 100% unido, algo inédito.
Pela verticalização, os partidos não podem contrariar nos Estados a aliança que fizerem para a eleição presidencial. Aliados a Lula, peemedebistas não poderiam fazer suas velhas coligações com o PFL no Nordeste, por exemplo. A não ser que o Supremo voltasse tudo atrás mais uma vez, o que é improvável.
A decisão do TSE, pois, causa estragos na ascendente candidatura Lula: reduz o sonho de se aliar ao PMDB a praticamente zero, interrompe a negociação com o PSB, à esquerda, e com o PTB, o PL e o PP, à direita. Sua chapa volta à estaca zero: o PT (que, aliás, tem interesses estaduais, está na contramão de Lula e apóia a verticalização) e o pequeno PC do B.
Um mais um é igual a: menos palanques estaduais e menos tempo num instrumento poderoso para qualquer candidato, especialmente para Lula, que é a TV. Seus trunfos, apesar de ainda fortes, diminuem.
Do outro lado, o efeito da decisão do TSE no PSDB é mais regional -no Pará, no Ceará e em Minas, por exemplo, onde Aécio Neves tem alto índice de aprovação e é, ou queria ser, candidato à reeleição por um amplo leque partidário. Mas, no plano federal, a verticalização não altera os planos de aliança com o PFL e não mexe um milímetro no impasse entre Alckmin e Serra.
Ou seja, Lula está bem disposto, cheio de amor e de sacos de bondade para dar e liderando as pesquisas, mas fechou duas semanas com más notícias: o PIB quase haitiano do Carnaval e, depois, a água fria nos projetos de coligações.
Até aqui, Lula vem acertando, e seus adversários, errando, mas o jogo ainda está sendo armado e há muito tempo e muitos fatores pela frente.

Arquivo do blog