Entrevista:O Estado inteligente

terça-feira, março 14, 2006

EDITORIAL DE O gLOBO Exemplo chileno

Exemplo chileno

O resto da América Latina faria melhor se tomasse como exemplo o Chile que a presidente socialista Michelle Bachelet acaba de receber das mãos do também socialista Ricardo Lagos.

Combinação invejável de coerência e eficácia econômicas com plena vigência das liberdades individuais, o país que até algum tempo atrás era tido e havido como feudo do grotesco e brutal ditador Augusto Pinochet é hoje o único do continente com possibilidades reais de dar um salto qualitativo para o Primeiro Mundo.

Apesar do muito que ainda precisa ser feito para alterar o quadro secular de gravíssimas desigualdades sociais — cuja redução é ponto de honra do programa de governo anunciado pela presidente recém-empossada — o Chile é modelo insuperável de prosperidade na América Latina. E a razão do progresso chileno é hoje um segredo de polichinelo: a estabilidade de regras da política econômica, que se orienta por princípios clássicos, segue um curso predeterminado, independentemente de quem esteja no comando, e evita a tentação das fórmulas mágicas que acenam com milagres e costumam semear catástrofe e desolação. Em síntese, o que se poderia chamar de milagre chileno resulta, em grande parte, da descrença em soluções milagrosas.

A rota seguida pelo Chile — que deve ser creditada aos responsáveis pela difícil travessia da ditadura militar para o regime democrático, e do marxismo para a social democracia com tinturas liberais — contrasta violentamente com velhas fórmulas populistas e autoritárias que tanta miséria causaram na América Latina e que líderes de mentalidade ultrapassada ameaçam ressuscitar.

Patrício Aylwin, Eduardo Frei, Lagos e Bachelet mostram, por oposição, a insanidade de projetos como a Revolução Bolivariana do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que usa o dinheiro do petróleo não para reduzir a pobreza mas para fomentar a cizânia interna e financiar, no continente, o ressurgimento do mais infecundo e obsoleto antiamericanismo.

O progresso social e econômico, ensina o Chile, é a recompensa das opções corretas e do trabalho duro e não o butim das revoluções forjadas e da manipulação das massas.

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