FSP
Os números do PIB em 2005, divulgados pelo IBGE na sexta-feira antes do Carnaval, precisam ser lidos com atenção. São duas as lições principais que podemos tirar: o vôo da galinha que tem marcado a economia brasileira está de volta e crescemos mais pelo consumo turbinado pelo crédito do que pelo lado dos investimentos. Mais uma vez a incompetência do governo em pensar uma política econômica integrada abortou o incipiente movimento de recuperação da confiança do empresariado brasileiro.
Outro sinal que os números do IBGE nos mostram, e que foi o mais explorado pela imprensa, é que não estamos aproveitando os ventos favoráveis que a economia mundial vem trazendo aos países emergentes. Estamos crescendo muito menos que outras economias, inclusive as maduras como Japão e Europa. Isso é um fato incontestável e deve servir como tema de uma reflexão isenta das cores políticas que sempre aparecem em um ano eleitoral.
Destaquei na tabela alguns números que me parecem os mais importantes.
O que mais chama a atenção, além da perda geral de dinamismo, é o descompasso entre crescimento do consumo e dos investimentos. Esse é para mim o pior sinal que os números nos trazem. No que se refere ao consumo, o crescimento é de má qualidade, pois está relacionado mais a uma queda significativa no valor das prestações dos bens comprados a prazo do que ao crescimento de renda do trabalho. Isso ocorreu, apesar do aumento dos juros administrado pelo Banco Central, em virtude de prazos maiores nos empréstimos bancários. Esse movimento deve continuar em 2006, em decorrência da incrível melhora nos índices de risco associados à nossa economia e da entrada de investidores internacionais no mercado local de títulos em reais. A diferença em 2006 é que a demanda dos consumidores, com o real valorizado a R$ 2,00 por dólar, será atendida cada vez mais pelos produtos importados.
Já o crescimento dos investimentos, embora deva apresentar uma recuperação, não deve voltar aos níveis de 2004. Para isso vão pesar alguns fatores. Em primeiro lugar, a contínua elevação da carga tributária para quase 38% do PIB em 2005 (apesar do cinismo do governo em dizer que não aumentou a carga, e sim a arrecadação) asfixia o setor privado e limita sua capacidade de investimento. Além disso, o descontrole dos gastos públicos dificulta o trabalho da política monetária. Outra questão importante, principalmente na indústria de transformação e na agropecuária, é a incerteza criada por uma moeda extremamente valorizada, sem que o exportador visualize uma interrupção nesse processo. Sem uma base para projetar seus ganhos, dificilmente as empresas e os agricultores vão intensificar seus investimentos. No caso da agropecuária o problema é ainda maior, pois o setor iniciou 2006 afogado em dívidas. Mesmo na construção civil, que deverá ser beneficiada pelo aumento do crédito imobiliário direcionado, o arcabouço legal desacreditado limitará qualquer crescimento além da natural recuperação cíclica depois do medíocre desempenho do ano passado.
Em 2005 ocorreu um tombo fantástico, mostrando que temos problemas estruturais para manter o crescimento sustentado. É preciso uma reflexão mais profunda sobre as causas desse vai-e-vem. Dificilmente teremos uma nova onda de investimentos com essa magnitude de flutuações entre um ano e outro.
Entrevista:O Estado inteligente
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