Operação nebulosa
Falta de transparência ofusca sucesso do
Exército na recuperação de armas no Rio
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Ronaldo Soares
André Luiz Mello/AP![]() |
| As armas, de volta ao quartel: a perícia será feita na Polícia Federal |
A megaoperação do Exército para recuperar armas roubadas de um quartel no Rio de Janeiro terminou na terça-feira da semana passada, quando os dez fuzis e uma pistola foram finalmente encontrados. Segundo a versão oficial, as armas foram localizadas na terça à noite, próximo à favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, após doze dias de ocupação dos morros cariocas e uma inédita mobilização de tropas. Chegou a haver 1.500 homens simultaneamente nas ruas da cidade. Seria possível dizer que, do ponto de vista operacional, a empreitada fora um sucesso, inclusive de público. No período da ocupação, os índices de criminalidade despencaram e a população aprovou a ocupação, a despeito de denúncias de supostos abusos dos militares. O êxito do Exército, no entanto, foi ofuscado no final. No dia seguinte à divulgação da recuperação das armas, o Comando Militar do Leste (CML) foi pego no contrapé por uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo, segundo a qual a versão oficial seria uma farsa. Os militares estariam de posse delas desde domingo e, pior, teriam ocultado uma negociação com bandidos para reaver as armas.
A história inicialmente contada pelo Exército era apenas imprecisa e superficial. No entanto, ao tentar desmentir o suposto acordo, o que era mera imprecisão tornou-se informação contraditória. O chefe do Estado Maior do CML, general Hélio Macedo, e o secretário de Segurança Pública do Rio, Marcelo Itagiba, foram pouco convincentes nas explicações sobre o local onde o armamento foi encontrado. A forma como se obteve a informação também é obscura. Sobre esse assunto o Exército foi evasivo – disse apenas que um informante indicou o esconderijo das armas. Nada disso fornece elementos para se afirmar que o Exército tenha mentido ou feito tratativas com facínoras. Mas a falta de transparência no desfecho do caso revela que, pelo menos no campo da credibilidade, o que os militares sofreram foi um revés.
Custódio Coimbra/Ag. O Globo![]() |
| Itagiba e Macedo: explicações pouco convincentes |

