| PRIMEIRA LEITURA |
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Em um texto de uma dúzia de páginas, para que nada ficasse dito pela metade, encabeçado pelo título A Perigosa Fantasia Regressiva dos Sem-terra, a revista mostrava com fartura de fatos que Stedile liderava uma causa influente, mas que havia caminhado para o beco da impossibilidade prática. Incompatível com um país que quisesse ser um país do investimento, do desenvolvimento, da atração de capital produtivo. O problema é que a leniência explícita do governo Lula sabotava e sabota a produção, enquanto garante juros fartos ao capital da especulação, aquele que passa ao largo dos porretes e lanças improvisadas pelos sem-terra de Stedile. Do Planalto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, de Miguel Rossetto, o sentimento é um só, comprovadamente em três anos de governo: não incomodar os companheiros sem-terra. Regressismo incontrolável Na sua última intervenção pública, Stedile pregou que agora os seus inimigos não são nem o latifúndio nacional nem as empresas industrias brasileiras proprietárias de terras, mas o capital multinacional do agronegócio. O que fazer? O líder do MST tem o direito a dizer o que quiser, não importa quanto suas idéias sejam delirantes. Ao Estado, pela mão do governo Lula, legitimamente constituído, é que não cabe leniência de nenhum tipo quando esses delírios redundam em uma ação fora-da-lei dos sem-terra, como a que foi levada a cabo no laboratório da Aracruz. Nesse caso, o governo compactuou com a violação ao Estado de Direito. Alguém pode dizer que o ataque à empresa, no Rio Grande do Sul, foi um caso isolado. É argumento desmentido pelos fatos. Sob a alegação estúpida de que as empresas de celulose estão criando no Brasil “desertos verdes”, organizações dos sem-terra e dos índios têm invadido, ocupado e quebrado sistematicamente instalações da Aracruz. No ano passado, a empresa, em parceria com a sueco-finlandesa Stora Enso, que criaram a joint venture Veracel, inaugurou uma fábrica em Eunápolis (BA). Um investimento de US$ 1,2 bilhão, indutor da geração de 10 mil postos de trabalho, entre empregos diretos e indiretos. E daí? O governo Lula recebeu os empresários brasileiros, suecos e finlandeses no Planalto e festejou o investimento. Foi à inauguração da fábrica, e festejou outra vez. Mas permitiu que índios e sem-terra se revezassem no edificante trabalho de invadir as terras da Veracel, mantendo sob constante ameaça a produção da fábrica. Seita dos paus-mandados Os sem-terra históricos não existem, repito hoje, 31 meses depois de ter assinado aquela reportagem de capa da revista Primeira Leitura. Não se tratava ontem e não se trata hoje de adivinhação barata, mas de leitura dos fatos e das idéias. Não existem os sem-terra de Stedile, mas a seita dos paus-mandados de Stedile, líder de uma fantasia regressiva. Eles são contra as fábricas de celulose, são contra os transgênicos, são contra a ciência e a produção. Logo o líder, à porta de um hospício, ou de uma merecida cadeia, estará gritando: abaixo os telhados porque a chuva é do povo. E quem são eles todos? Para saber, leiam a reportagem publicada no site do MST, neste link: http://www.mst.org.br/informativos/minforma/ultimas1671.htm. [ruinogueira@primeiraleitura.com.br] |
Entrevista:O Estado inteligente
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quinta-feira, março 09, 2006
A Aracruz e a seita dos paus-mandados de Stedile Por Rui Nogueira
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Em agosto de 2003, oito meses depois de Luiz Inácio Lula da Silva ter assumido o Planalto — munido de uma condescendência tão absoluta quanto absurda com as invasões dos sem-terra, prometendo, inclusive, não usar a lei antiinvasão herdada do governo FHC —, a revista Primeira Leitura foi para as bancas com a seguinte manchete: