Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, setembro 08, 2006

Clóvis Rossi - Os gastos e a dívida




Folha de S. Paulo
8/9/2006

Fabio Giambiagi, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e grande especialista em contas públicas, diz que o Brasil só poderá crescer de forma sustentável quando ampliar o investimento público. Sugere dobrá-lo ou mesmo triplicá-lo (como porcentagem do PIB).
De acordo. Mas, para isso, é preciso pôr na roda a questão da dívida pública brasileira. É o pagamento dos juros que barra o investimento público, ninguém se iluda. O governo arrecada muito mais do que gasta. Mas o "lucro" resultante vai todo ele para o pagamento da dívida (cerca de 4,25% do PIB contra investimentos da ordem de magérrimo 0,55%).
Dá para aumentar o investimento pagando a dívida nas condições atuais? Muito economista de manual básico e até Geraldo Alckmin tocam o samba de uma nota só chamado "cortar gastos". De acordo, de novo. Mas que gastos podem ser efetivamente cortados? Quanto de economia decorrerá? Reduzir ministérios dos atuais 35 ou algo parecido para menos da metade seria genial (a Espanha tem 16, aliás igualmente divididos entre homens e mulheres, e vai muito bem, obrigado).
Mas será que a economia decorrente daria para, ao menos, construir um presídio de segurança máxima por ano. Todo mundo sabe que há limites legais e, em alguns casos, constitucionais para cortar salários, por exemplo, tanto na iniciativa privada como no setor público. Há limites, rígidos aliás, para demitir funcionários públicos.
Nada contra, repito, reduzir gastos públicos, racionalizá-los, redirecioná-los, o diabo. Mas é preciso demonstrar com números, não com bordões, que a redução produzirá recursos suficientes para, sem tocar na dívida, dobrar ou triplicar o investimento público, sob pena de se estar vendendo mais uma ilusão ao distinto público.

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