Entrevista:O Estado inteligente

sexta-feira, setembro 08, 2006

Eliane Cantanhede - Entre o céu e o inferno




Folha de S. Paulo
8/9/2006

O texto de ontem de Demétrio Magnoli, "O sentido do voto nulo" (pág. A 2), revela a personalidade de Lula e disseca o lulismo, além de ser um alerta contra o voto nulo. Brilhante e oportuno quando começam as apostas sobre como seria, ou será, o segundo mandato de Lula.
Para lulistas dogmáticos, será o melhor governo do planeta de todos os tempos: Lula não é mais verde no poder, os escândalos que tinham de aparecer já apareceram, quem tinha de cair já caiu, o arrocho fiscal já foi feito. E o ambiente político estará desanuviado. Sem reeleição, Lula deixará de ser alvo.
Para os oposicionistas indignados, será o pior governo do planeta de todos os tempos: Lula tende a assumir todo o seu messianismo, a economia internacional não estará com o vento tão a favor, o crescimento do Brasil deverá ser ainda pior do que no primeiro mandato e os defeitos do governo só irão se aprofundar. Com o agravante de um Congresso em chamas, petistas descartáveis, aliados vorazes e oposição louca para recuperar o poder em 2010.
Pressionado pelos dois cenários, Lula trabalha freneticamente para frear a ansiedade dos petistas, a ganância dos aliados e a gana dos oposicionistas, pedindo o que o PT jamais foi capaz de dar: apoio para a governabilidade em nome do que "é melhor para o país".
Caso essa "concertación" não dê certo, ele não se sentirá desamparado. Com a expectativa de 50% dos votos gerais, e mais de 70% no Nordeste, pode simplesmente dar um grito de "independência": "Chega de intermediários!". E assumir que se lixava, se lixa e se lixará sempre para o Congresso Nacional e para a política partidária, falando e governando diretamente com o chamado "povão".
É arriscado para ele e perigoso para as instituições, mas é a cara desse Lula que está aí.

Arquivo do blog