Um grupo de frades austríacos chega às paradas
de sucesso da Europa e dos Estados Unidos
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Sérgio Martins
Um êxito desse tipo não é inédito. Em 1994, os monges do Mosteiro de Santo Domingo de Silos, na Espanha, venderam 5 milhões de discos ao redor do mundo com um repertório semelhante ao dos austríacos. "Nunca ouvi nossos irmãos espanhóis, mas não copiamos o estilo deles. Vivemos em clausura e não trocamos discos", diz Wallner. Com o sucesso daquele CD, o canto gregoriano (surgido no século IX para embelezar a liturgia católica) entrou na corrente sanguínea da cultura pop. Trechos de cantos foram usados por grupos de música eletrônica e até mesmo o videogame Halo se apropriou deles para sua trilha sonora. Visto que a terceira edição de Halo, lançada no ano passado, vendeu 84 milhões de unidades, não é de espantar que os cânticos dos austríacos tenham encontrado uma platéia receptiva.
O monge Wallner promoveu a música de seus confrades com a habilidade comercial de um vendilhão do templo. No início do ano, enviou um e-mail ao diretor da Universal Classics, Tom Lewis, contendo o link de uma apresentação postada no YouTube. Nela, o grupo de religiosos cantava para o papa Bento XVI. Lewis contatou Wallner, e um contrato foi fechado. Os monges ganham 1 euro por disco vendido. Music for the Masses vendeu até agora 250 000 unidades. O dinheiro, segundo Wallner, será aplicado na formação de futuros monges. O pastor só se incomoda com os leigos que lhe pedem o impossível. "Na semana passada, um milionário europeu queria que cantássemos no casamento dele. Será que ele não percebe que não podemos sair daqui?" Perdoai-o, monge Wallner. Ele não sabe o que faz