custa da mulher. Mas ele é "do bem"
e ela, "do mal". Vai entender...
Marcelo Marthe
Divulgação/TV Globo |

Caruso, como Alex: na primeira semana de batente, depois de anos desempregado, ele já planejava suas férias na praia |
Numa cena da novela Páginas da Vida que foi ao ar na semana passada, a personagem Marta (Lilia Cabral) deu uma de suas carraspanas costumeiras no marido. Ela irritou-se ao saber que o aparvalhado Alex (Marcos Caruso) foi assaltado durante uma ida ao banco a serviço da AMA, a casa de cultura da trama das 8 da Globo (apesar de ser um contador cinqüentão, ele faz as vezes de office-boy no recém-conquistado emprego). Marta repetiu aquilo que a esta altura todo espectador sabe – Alex é um inútil – e zombou de sua "cara de vítima". Lembrou também que há cinco longos anos ele não cumpre com suas obrigações conjugais: "Nem como homem posso contar com você". Alex é, em suma, o maior banana surgido nos folhetins nacionais nos últimos tempos. Um banana de pijama, por assim dizer. Ele levou a vida na flauta por anos a fio, enquanto a mulher sustentava a casa, e só arranjou um emprego porque ele lhe foi dado por caridade da milionária Olívia (Ana Paula Arósio). Nos primeiros dias do batente, porém, ele traiu seus verdadeiros objetivos profissionais. "Já estou pensando nas minhas próximas férias", disse a uma colega na última terça-feira, confidenciando ainda que não via a hora de se espreguiçar nas areias de Fernando de Noronha com o neto. É, em suma, um vagabundo.
O curioso é que o contexto da trama induz o público a condenar Marta – que, não obstante sua antipatia, não deixa faltar comida na mesa – e torcer por seu marido folgado, pelo fato de ele ser um avô carinhoso e padecer nas mãos da mulher. Contribui para isso também o fato de Alex não ser mostrado como uma figura mal-intencionada. "Ele não tem vocação para dar certo, para vencer. Só que encontra desculpas para tudo isso porque é um sonhador", diz o autor Manoel Carlos. Mas o fato é que Marta tem razões de sobra para implicar com Alex. Antes de receber seu primeiro salário, ele saiu pedindo dinheiro emprestado à mulher e pendurou gastos supérfluos no cartão de crédito. Até hoje, não contribuiu com um só centavo para as compras da família no supermercado. Vale frisar que, com ou sem meiguice, encostar-se nos outros nunca foi sintoma de honestidade nem de bom coração. "No Brasil existe muita gente que age como o Alex: sempre que pode se acomoda e deixa os outros irem à luta em seu lugar", diz Caruso, seu intérprete (que, aliás, merece todo crédito por sua atuação). Ao conseguir uma "boquinha" na tal AMA, Alex deixa ainda outra lição: a de que cultura, no Brasil, é mesmo sinônimo de cabide de emprego.